Ceilândia em Alerta — Estudantes e professores participaram, nesta quinta-feira (15/10), da quinta Marcha Federal Universitária, em Buenos Aires, na Argentina, para exigir que o presidente Javier Milei cumpra a lei de financiamento das universidades públicas. A manifestação terminou em confronto entre policiais e participantes em frente ao Congresso argentino. O ato integra uma mobilização nacional em defesa da educação pública, tema que também aparece no debate brasileiro sobre o financiamento das universidades federais.
Durante o protesto, agentes de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Alguns participantes, por sua vez, atiraram pedras. Segundo o Ministério da Segurança da Argentina, cinco policiais ficaram feridos.
A principal reivindicação dos manifestantes é a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, que prevê a atualização dos recursos destinados às instituições públicas, a reposição das perdas salariais dos professores e a recomposição das bolsas estudantis.
Com bandeiras de entidades estudantis e sindicatos, os participantes exibiram cartazes com mensagens como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”.
A mobilização ocorreu após dias de greves e manifestações dentro das universidades, em meio à pressão para que o governo federal cumpra as determinações judiciais relacionadas ao financiamento do setor.
Axel Kicillof critica cortes na educação
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, também criticou a política do governo federal para a educação pública. Em publicação na rede social X, ele afirmou que a nova Marcha Federal Universitária demonstra que os cortes no setor representam um erro que compromete o presente e o futuro da Argentina.
“Enquanto todos os países do mundo escolhem proteger suas capacidades em inovação tecnológica e científica, o Governo nacional insiste em destruir algo tão precioso para nosso povo, que vai continuar lutando para defender seus direitos”, escreveu Kicillof.
A discussão sobre os recursos destinados às universidades também está presente no Brasil. O TaguaCei publicou uma reportagem sobre o corte de R$ 488 milhões no orçamento das universidades federais para 2026, que gerou preocupação entre instituições de ensino superior.
Disputa judicial aumenta pressão sobre Milei
O impasse em torno do financiamento universitário argentino se arrasta desde agosto de 2025, quando o Congresso aprovou a Lei de Financiamento Universitário. Milei vetou a proposta, mas a disputa avançou para a Justiça.
Em junho, uma decisão da Suprema Corte determinou que o governo cumprisse os pagamentos previstos na legislação. Mesmo diante das decisões judiciais, o financiamento continua no centro do embate entre o Executivo e as instituições de ensino.
Universidades, professores e estudantes cobram a recomposição dos recursos e a valorização dos profissionais da educação. A mobilização ocorre em meio ao debate sobre os efeitos das medidas de austeridade nas instituições públicas.
No Brasil, o financiamento do ensino superior também é motivo de preocupação. Em outra reportagem, o TaguaCei abordou como as restrições orçamentárias afetam as universidades federais, que enfrentam dificuldades para custear despesas de manutenção, assistência estudantil e atividades acadêmicas.



