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Mercosul e UE assinam acordo de livre comércio. O que acontece agora?

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Após assinatura no Paraguai, tratado Mercosul-UE entra em fase decisiva de aprovação em parlamentos e pode ter vigência comercial já em 2026

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia avança para etapa decisiva. A assinatura formal do tratado será realizada neste sábado (17/1), em Assunção, no Paraguai, mas o texto ainda precisa passar por uma complexa fase de tramitação legislativa para entrar em vigor.

O pacto prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 22 trilhões.

A expectativa dos governos envolvidos é que a parte comercial do acordo comece a valer já no segundo semestre de 2026.

Da assinatura à vigência

Com a formalização do tratado, inicia-se o processo de internalização do acordo nos dois blocos. No Mercosul, cada país precisará submeter o texto aos respectivos parlamentos nacionais.

No Brasil, a tramitação passará pelo Congresso Nacional, com análise inicial na Comissão de Relações Exteriores (CRE), que já sinalizou a intenção de acelerar o debate.

Na União Europeia, o caminho é distinto. A parte estritamente comercial do acordo depende apenas da aprovação do Parlamento Europeu, por maioria simples.

Já os capítulos considerados “mistos”, que envolvem cooperação política e investimentos, poderão exigir ratificação adicional nos parlamentos nacionais dos 27 países do bloco, o que tende a alongar o cronograma.

Há a possibilidade de aplicação provisória do acordo comercial após o aval do Parlamento Europeu e do Congresso brasileiro, mesmo antes da ratificação completa por todos os membros da UE e do Mercosul.

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O que prevê o acordo


Próximos passos

Após a assinatura em Assunção, o texto será enviado ao Parlamento Europeu e aos congressos nacionais do Mercosul.

A expectativa do governo brasileiro é concluir a aprovação interna até julho de 2026, permitindo que a parte comercial do acordo entre em vigor no segundo semestre do ano.

O principal risco não é o cancelamento do tratado, mas o prolongamento do calendário de ratificação, sobretudo na Europa. Ainda assim, a aprovação já obtida em Bruxelas é vista como um sinal de apoio majoritário ao acordo.

Se implementado conforme o cronograma, o tratado deve impulsionar as exportações brasileiras, reduzir custos para a indústria, ampliar o acesso a mercados europeus e reforçar a inserção do Mercosul nas cadeias globais de comércio, ainda que de forma gradual e cercada de salvaguardas.

Reação política

Na sexta-feira (16/1), véspera da assinatura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em declaração à imprensa, Lula classificou o momento como histórico.

Segundo o presidente, o acordo é fruto de mais de 25 anos de negociações e representa um marco para o multilateralismo. Ele afirmou que o tratado pode ajudar o Brasil a ampliar a exportação de produtos industrializados e de maior valor agregado, reduzindo a dependência de commodities.

Do lado europeu, apesar da aprovação provisória pelo Conselho da União Europeia, o acordo ainda enfrenta resistência de países como França, Polônia, Áustria e Hungria, especialmente por pressões de setores agrícolas. Autoridades francesas já indicaram que pretendem tentar barrar o avanço do tratado no Parlamento Europeu.

Com informações do Metrópoles

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