O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (17) o julgamento de uma ação penal que pode marcar um precedente inédito: a possível condenação de deputados federais por corrupção envolvendo emendas parlamentares. O caso é analisado pela Primeira Turma da Corte e envolve acusações de cobrança de propina em troca da liberação de recursos do orçamento público.
A análise envolve os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes de um esquema de negociação ilícita de emendas. O julgamento foi retomado com o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, e deve contar ainda com manifestações dos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que preside o colegiado.
De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, os parlamentares teriam solicitado, entre janeiro e agosto de 2020, o pagamento de R$ 1,7 milhão a um prefeito do interior do Maranhão. Em troca, seriam destinados cerca de R$ 6,7 milhões em emendas parlamentares ao município. O Ministério Público Federal sustenta que o grupo estruturou um esquema de “comercialização” dessas verbas públicas.
A acusação aponta que a suposta organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho e menciona trocas de mensagens entre os investigados como evidência da articulação para direcionamento de recursos. Em uma das conversas citadas, Pastor Gil questiona quais municípios deveriam receber as emendas, ao que Josimar responde: “Dei 1.048.000 para São José de Ribamar”.
As defesas dos parlamentares negam a prática de irregularidades. Durante as primeiras sessões do julgamento, realizadas na semana anterior, o subprocurador-geral da República Paulo Vasconcelos Jacobina defendeu a condenação dos acusados, classificando as condutas como de “elevada gravidade”.
Segundo o representante da PGR, a atuação do grupo investigado não teria se limitado a um único município. Ele afirmou que houve “aliciamento e cobrança” de valores em diferentes cidades, o que motivou a abertura de outras investigações ainda em andamento no STF.
O caso também dialoga com outros inquéritos envolvendo os mesmos parlamentares. Em 2021, foram divulgadas imagens captadas em uma ação controlada da Polícia Federal que mostram Josimar Maranhãozinho entregando uma caixa com dinheiro a um aliado. O material integra a Operação Descalabro, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos em um segundo procedimento investigativo.
A expectativa entre ministros ouvidos pela reportagem é de que o julgamento seja concluído ainda nesta terça-feira, o que pode estabelecer um marco jurídico relevante no combate a irregularidades envolvendo emendas parlamentares no país.
Com informações do Brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Lei do BRB: Celina veta emendas sobre ressarcimento ao GDF e concursos

Celina sancionou a lei de socorro ao BRB, que permite obtenção de empréstimo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), nesta quarta (24/6) A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), vetou 14 itens da lei que viabiliza o empréstimo para salvar o Banco de Brasília (BRB) após a compra de carteiras podres do Banco Master.…
-
Digimais, Master e a ameaça de um risco sistêmico silencioso

Além das possíveis infrações penais, o caso do banco do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, é a repetição do modelo observado anteriormente no Banco Master A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra o Banco Digimais, controlado pelo empresário e chefe religioso Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, vai além do…
-
Funcionário do BRB é apontado como líder de esquema de falsos consórcios no DF

Investigações revelam que a organização movimentou mais de R$ 22 milhões entre 2023 e 2025 e prejuízo das vítimas ultrapassa R$ 278 mil A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (24/6), a segunda fase da Operação Falsa Promessa e cumpriu seis mandados de prisão preventiva contra integrantes de um grupo suspeito de…






