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Trump mentiu ao dizer que não sabia que Irã iria contra-atacar e atingir aliados dos EUA no Golfo

Relatórios de inteligência indicam risco de ataques iranianos a aliados dos EUA na região, apesar de declarações públicas de surpresa do presidente

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Relatórios de inteligência dos Estados Unidos apontavam, antes do início da ofensiva contra o Irã, que uma resposta de Teerã contra países aliados no Golfo era um cenário possível. Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente ter sido surpreendido pelos ataques iranianos registrados após o início do conflito.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que ouviu um funcionário americano e duas fontes com acesso a relatórios de inteligência. Segundo essas fontes, as avaliações prévias não tratavam a retaliação como inevitável, mas indicavam claramente que ela estava entre os desdobramentos esperados.

De acordo com uma das fontes, que falou sob condição de anonimato, a reação iraniana “certamente estava na lista de possíveis desfechos”. Ainda assim, Trump declarou duas vezes, na segunda-feira (16), que os ataques do Irã a países como Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait foram inesperados.

Durante uma reunião na Casa Branca, o presidente afirmou: “Eles (o Irã) não deveriam ter atacado todos esses outros países do Oriente Médio. Ninguém esperava por isso. Ficamos chocados.” Em outro momento, ao ser questionado sobre possíveis alertas prévios, reforçou: “Ninguém, ninguém, não, não, não. Os maiores especialistas, ninguém pensou que eles iriam atacar.”

As declarações contrastam com avaliações internas da comunidade de inteligência dos EUA, que já indicavam o risco de ampliação do conflito. Segundo um funcionário ouvido pela Reuters, Trump foi informado de que uma ofensiva contra o Irã poderia desencadear uma guerra regional mais ampla, incluindo ataques a capitais do Golfo, especialmente se esses países fossem vistos como apoiadores das ações americanas.

Além disso, duas outras fontes afirmaram que o presidente também foi alertado previamente sobre a possibilidade de o Irã tentar fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Nos últimos dias, Teerã interrompeu praticamente todo o tráfego na região, contribuindo para a alta global dos preços de energia.

Nas últimas duas semanas, drones e mísseis iranianos atingiram diversos alvos nos países do Golfo, incluindo bases militares dos Estados Unidos e instalações nos Emirados Árabes Unidos que abrigam tropas francesas. Estruturas civis, como hotéis, aeroportos e instalações energéticas, também foram atingidas.

Outro ponto destacado pelas fontes é que a inteligência americana avaliava que o plano de Israel, com apoio dos EUA, de atacar lideranças iranianas aumentaria significativamente a probabilidade de retaliação contra postos militares e diplomáticos americanos na região.

Apesar disso, a retirada de funcionários diplomáticos de embaixadas na região só foi ordenada após o início dos bombardeios. Paralelamente, parlamentares democratas relataram que, durante briefings recentes, não foram informados sobre qualquer ameaça iminente que justificasse a entrada dos Estados Unidos no conflito.

A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário, enquanto o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional também se recusou a se pronunciar sobre o conteúdo das avaliações.

Com informações do Brasil247

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