A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, aprofundou de forma dramática o desgaste político de Ibaneis Rocha (MDB) e passou a alimentar, nos bastidores de Brasília, a avaliação de que o ex-governador do Distrito Federal pode ficar fora da disputa pelo Senado. Seu nome passou a ser tratado como um passivo nas negociações partidárias, num momento em que as alianças para a eleição deste ano entram em fase decisiva.
Segundo informações publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo e reproduzidas por O Liberal, a crise em torno de Paulo Henrique Costa agravou a situação de Ibaneis e fez crescer entre aliados e adversários a percepção de que sua imagem se tornou tóxica para a composição de uma chapa competitiva. O impacto político do caso Master já provoca queixas dentro do campo da atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), onde há o entendimento de que a associação com Ibaneis prejudica o ambiente eleitoral.
Nos bastidores, integrantes do grupo político de Celina reclamam que a campanha dela vem sendo atingida pelo envolvimento de Ibaneis no caso. A deterioração da imagem do ex-governador ocorre justamente quando partidos e lideranças tentam consolidar seus palanques, definir candidaturas e evitar contaminações que comprometam o desempenho eleitoral da chapa. Nesse cenário, Ibaneis passou a ser visto menos como um ativo político e mais como um fator de desgaste.
Rompimento com o PL
O isolamento se aprofundou com o movimento do PL, que integra a aliança local, mas já rompeu com o ex-governador. A legenda trabalha para lançar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado, num recado claro de que o projeto político de Ibaneis deixou de ser prioridade. Embora o MDB continue sustentando publicamente que ele permanece na disputa, o enfraquecimento de sua posição se tornou evidente diante da perda de apoio e do avanço do constrangimento entre aliados.
O centro da crise está na atuação de Ibaneis em relação à compra do Master pelo BRB. De acordo com a apuração reproduzida pela reportagem, o ex-governador foi um defensor amplo da operação, mesmo diante de recomendações contrárias ao negócio. As mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro indicam ainda que Ibaneis sabia que a transação geraria críticas e pediu argumentos para enfrentá-las. O conteúdo reforça a leitura de que ele não era um observador distante, mas alguém politicamente comprometido com a operação.
A oposição aproveitou o novo cenário para elevar o tom. Durante a quinta-feira, 16, adversários do ex-governador passaram a repetir a frase: “Paulo Henrique não operou sozinho. Ibaneis deve explicações”. A declaração condensa a linha política que busca associar diretamente Ibaneis ao ambiente de decisões que culminou no escândalo e transforma sua situação numa questão não apenas jurídica, mas também eleitoral.
Posição da Defesa
A defesa de Ibaneis, por sua vez, tentou conter o desgaste. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro afirmou que o diálogo entre Costa e Vorcaro demonstra que o ex-governador “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras”. Acrescentou ainda que ele deu “plena autonomia” à área técnica do BRB. A linha defensiva busca afastar a tese de interferência política e sustentar que as decisões foram tomadas no âmbito técnico da instituição.
Apesar disso, o problema de Ibaneis ultrapassa a esfera jurídica. Na política, sobretudo em disputas majoritárias, o dano de imagem pode ser tão ou mais devastador do que qualquer investigação em curso. A ideia de que sua presença pode contaminar aliados, comprometer palanques e dificultar composições tornou-se, neste momento, o principal obstáculo à sua pretensão eleitoral. É esse cálculo que leva setores da política local a considerar cada vez mais provável sua exclusão prática da corrida ao Senado.
Com informações do Brasil247
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