G7 encerra cúpula com adesão parcial do Brasil, que apoiou proteção de menores e rejeitou outros textos
247 – O G7 encerrou nesta quarta-feira (17) sua cúpula com adesão parcial do Brasil, que apoiou proteção de menores e rejeitou outros textos no fechamento do encontro de Évian. O país endossou a declaração sobre segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital, mas não aderiu aos documentos sobre minerais críticos e crescimento econômico equilibrado.
A posição brasileira manteve o padrão observado desde terça-feira (16), com adesões seletivas aos textos negociados durante a cúpula. Ao todo, o Brasil assinou três dos oito documentos temáticos apresentados pelo G7 e ficou fora de cinco, em meio a divergências sobre a abordagem adotada pelo grupo em temas econômicos, sanitários, geopolíticos e de desenvolvimento.
Brasil fica fora de texto sobre minerais críticos
Uma das declarações divulgadas no encerramento do encontro trata da segurança das cadeias de fornecimento de minerais críticos. O documento teve a Austrália como único país parceiro signatário fora do núcleo do G7.
O texto propõe reduzir, até 2030, a dependência de um único fornecedor externo ao grupo para terras raras e ímãs permanentes a menos de 60%. Também prevê a criação de uma Aliança de Resiliência e Produção de Minerais Críticos entre os membros do G7.
O Brasil, apesar de estar entre os países com grandes reservas de terras raras, decidiu não aderir à declaração. A avaliação em Brasília é que o texto tem orientação extrativista e geopolítica, ao buscar consolidar uma coalizão ocidental em torno do tema sem levar em conta o direito dos países produtores de agregar valor às suas próprias cadeias produtivas.
A leitura brasileira acompanha críticas já feitas a documentos anteriores da cúpula, considerados pelo governo como insuficientes para contemplar demandas de países em desenvolvimento e produtores de matérias-primas estratégicas.
Declaração econômica também não teve apoio do Brasil
Outro documento rejeitado pelo Brasil foi o de crescimento econômico equilibrado. A declaração teve Egito, Quênia e Coreia do Sul como parceiros signatários e aborda desequilíbrios macroeconômicos globais, além da necessidade de países com superávits externos persistentes ampliarem a demanda doméstica.
O texto também reconhece a urgência de reabrir o Estreito de Ormuz “sem qualquer tipo de cobrança”.
O governo brasileiro, no entanto, não assinou a declaração. A avaliação de Brasília, já manifestada antes da divulgação do texto final, é que o documento atribui os desequilíbrios globais principalmente à China, sem considerar de forma adequada os efeitos do unilateralismo comercial e dos conflitos internacionais sobre as cadeias produtivas.
Brasil apoia proteção de menores no ambiente digital
A principal adesão brasileira entre os documentos finais desta quarta-feira foi a declaração sobre proteção de menores no ambiente digital. O texto também recebeu o aval de Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul.
A declaração defende que provedores de serviços digitais adotem configurações seguras por padrão, mecanismos de verificação de idade e controles parentais. O documento também chama atenção para os riscos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial conversacional por crianças e adolescentes.
Outro ponto central é o compromisso de proibir a geração e a distribuição de material de abuso sexual infantil, incluindo conteúdos produzidos por meio de deepfakes.
A adesão do Brasil já era esperada, uma vez que o país possui legislação própria sobre o tema e vinha demonstrando interesse em compartilhar sua experiência regulatória nas discussões internacionais sobre segurança digital de crianças e adolescentes.
Cúpula termina com oito documentos temáticos
Com a divulgação dos três últimos textos, a cúpula de Évian foi concluída com oito documentos temáticos, além de uma declaração sobre riscos geopolíticos negociada apenas entre os membros permanentes do G7.
O Brasil aderiu aos documentos sobre câncer, narcotráfico e proteção de menores no ambiente digital. Por outro lado, ficou de fora das declarações sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, combate ao Ebola, tráfico de migrantes, minerais críticos e crescimento econômico equilibrado.
Segundo a avaliação do governo brasileiro, a divergência não ocorreu de forma aleatória. Em pelo menos três dos cinco documentos rejeitados — parcerias internacionais, Ebola e crescimento equilibrado —, a crítica de Brasília é que os textos evitaram temas considerados centrais, como mudança climática, dívida externa e o papel da Organização Mundial da Saúde.
Para o governo brasileiro, essa omissão buscaria evitar atritos com Washington, que cortou financiamento à OMS e tem se posicionado contra a agenda climática em fóruns multilaterais. O resultado foi uma participação marcada por apoio seletivo, com o Brasil aderindo a temas considerados compatíveis com sua agenda regulatória e rejeitando declarações vistas como limitadas ou excessivamente alinhadas a interesses geopolíticos do G7.



