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Irã: Khamenei admite mortes de milhares, “algumas de maneira desumana”

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Líder supremo do Irã reconheceu que milhares de pessoas foram mortas, “algumas de maneira desumana e selvagem”, e culpou os EUA pelos mortos

aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, admitiu pela primeira vez que milhares de pessoas foram mortas durante os protestos que abalaram o país nas últimas duas semanas.

Em um discurso na quinta-feira (15/1), Khamenei reconheceu que milhares de pessoas foram mortas, “algumas de maneira desumana e selvagem”, e culpou os Estados Unidos pelo número de mortos. O líder supremo criticou duramente o presidente americano, Donald Trump, a quem chamou de “criminoso” por seu apoio às manifestações, e pediu punição severa para os manifestantes.

Khamenei disse: “Com a graça de Deus, a nação iraniana deve esmagar os sediciosos, assim como esmagou a sedição”. As informações são do jornal britânico The Guardian.

As autoridades iranianas também divulgaram no sábado uma compilação de imagens que supostamente mostravam indivíduos armados portando armas de fogo e facas ao lado de manifestantes comuns – evidência, segundo elas, de sabotadores estrangeiros.

Outro clérigo iraniano de alto escalão exigiu a execução dos manifestantes, afirmando que “hipócritas armados devem ser mortos”. Ele descreveu os manifestantes como “mordomos” e “soldados” de Israel e dos EUA, prometendo que nenhum dos dois países deveria “esperar paz”.

Khatami, membro do Conselho dos Guardiães e membro sênior da Assembleia de Peritos, que nomeia o líder supremo, é um clérigo linha-dura e influente no Irã.

Discurso contra Trump

O discurso contrastou fortemente com as declarações de Trump nesta semana, que pareceu adiar um ataque militar no Irã, dizendo a repórteres que as autoridades iranianas concordaram em suspender as execuções de manifestantes.

Na noite de sexta-feira (16/1), Trump agradeceu ao Irã por suspender a execução do que ele disse serem 800 manifestantes, embora não esteja claro de onde ele tirou esses números.

Grupos de direitos humanos afirmam que a repressão aos manifestantes continua, com mais de 3.090 pessoas mortas nos distúrbios e quase 4 mil casos ainda aguardando revisão, segundo a agência de notícias Human Rights Activists.

Mais de 22.100 pessoas foram presas nos protestos, o que gera temores de maus-tratos aos detidos. As duas semanas e meia de protestos começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes foram às ruas de Teerã em resposta a uma queda repentina no valor do rial.

Os protestos se espalharam e as reivindicações se ampliaram, incluindo pedidos pelo fim do governo do país, criando a onda de distúrbios mais grave e sangrenta que o país já viu desde a revolução de 1979.

Com informações do Metrópoles

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