Ex-ministro critica a atuação do Banco Central e a meta de inflação e diz que a Selic alta “aumenta a dívida pública e impede o investimento”
247 – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) voltou a disparar duras críticas contra a condução da política monetária brasileira. Em entrevista ao Metrópoles, ele classificou como “um crime” a atual taxa de juros básica da economia, fixada em 14,75% pelo Banco Central.
“Eu considero um crime o Brasil ter uma taxa de juros alta. Isso não vai resolver o problema da inflação. Sou contra a taxa de 14,75%. Ela aumenta a dívida pública, impede o investimento”, afirmou, ao criticar diretamente a condução da autoridade monetária.Play Video
Dirceu foi enfático ao afirmar que sua crítica se dirige ao Banco Central como um todo, e não apenas a seu presidente, Gabriel Galípolo, escolhido para o cargo pelo presidente Lula (PT). “[Condeno] a atuação do Banco Central”, respondeu quando questionado sobre a gestão de Galípolo.
Segundo o ex-ministro, a inflação brasileira está sendo julgada com base em uma meta considerada, por ele, distante da realidade do país. “Estamos sem déficit primário praticamente e a inflação está fora da meta porque é irreal. Três por cento num país como o Brasil é irreal. A meta não era essa. Eu sempre fui contra desde o primeiro governo do Lula. A meta era 4%, 5,5% ou 2,5%”, declarou.
Dirceu também fez um paralelo com o cenário internacional para sustentar sua crítica à taxa de juros elevada. Para ele, mesmo sem alcançar plenamente suas metas inflacionárias, economias centrais estão optando por reduzir os juros para estimular o crescimento. “Os países capitalistas centrais estão reduzindo os juros mesmo sem reduzir a inflação, pois sabem que a economia precisa crescer”, pontuou.
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