O Governo do Distrito Federal (GDF) decretou estado de emergência ambiental para o período de estiagem de 2026. Publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) na última sexta-feira (15), a medida terá validade até novembro e busca acelerar ações de prevenção e combate aos incêndios florestais no Cerrado.
Na prática, o decreto permite maior rapidez na contratação de brigadistas e na mobilização dos órgãos responsáveis pelo enfrentamento ao fogo, especialmente em unidades de conservação e parques ecológicos. A decisão também antecipa um cenário que vem se repetindo ano após ano no Distrito Federal: temperaturas mais altas, seca prolongada e aumento da pressão sobre áreas ambientais.
Dados do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) apontam que, apenas em 2024, mais de 18 mil hectares foram atingidos por incêndios florestais no Distrito Federal. Já no primeiro semestre de 2025, cerca de 988 hectares haviam sido consumidos pelo fogo até julho.
Para André Souza, coordenador de Enfrentamento às Mudanças Climáticas da Secretaria de Meio Ambiente do DF (Sema-DF), o decreto funciona como peça central da resposta do governo durante o período crítico.
“Esse Decreto é o ato normativo que é o ponto de partida burocrático e operacional que aciona o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF) e permite contratações rápidas de brigadistas e a mobilização integrada de forças como o Corpo de Bombeiros (CBMDF), a Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF) e o Brasília Ambiental”, avalia.
Prevenção ainda insuficiente
Embora o DF possua uma das estruturas mais reconhecidas do país no combate às queimadas, o especialista avalia que a capacidade de resposta continua imprevisível diante da velocidade das mudanças climáticas e da recorrência dos incêndios provocados por ação humana.
“O Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) é uma referência nacional que conta com perícia técnica, equipamentos especializados e monitoramento via satélite em tempo real quase real”, afirma Souza.
Grande parte dos incêndios registrados na região continua ligada a queimadas irregulares, descarte de lixo, vandalismo e disputas por ocupação de terras em áreas próximas às cidades. O avanço urbano sobre regiões de Cerrado tem ampliado a vulnerabilidade ambiental e dificultado o controle das chamas durante os meses de seca extrema.
Nos últimos anos, o governo passou a investir em estratégias de Manejo Integrado do Fogo (MIF), modelo que tenta reduzir a dependência exclusiva das ações emergenciais. Entre as medidas estão as chamadas queimas prescritas, técnicas de fogo controlado realizadas em períodos úmidos para evitar o acúmulo excessivo de vegetação seca.
Apesar disso, a política preventiva ainda enfrenta limitações. A contratação temporária de brigadistas, concentrada nos meses críticos, é vista como um dos principais desafios para a construção de uma política permanente de conservação ambiental no DF.
“A contratação de brigadistas, embora vital, ainda é temporária. Uma política 100% preventiva exigiria um corpo permanente de vigilância e manejo focado na conservação durante os 12 meses do ano”, destaca o coordenador.
Cerrado e saúde pública
Os impactos das queimadas vão além da destruição imediata da vegetação. “Embora o Cerrado seja um bioma adaptado ao fogo (no período correto), incêndios frequentes, intensos e fora de época destroem a capacidade de regeneração da vegetação nativa, favorecendo a invasão de gramíneas exóticas.”
A destruição da cobertura vegetal também afeta diretamente os recursos hídricos do Distrito Federal. Sem proteção no solo, a infiltração da água diminui, comprometendo a reposição de aquíferos e reservatórios estratégicos para o abastecimento da capital.
Ao mesmo tempo, a fumaça das queimadas e a baixa umidade relativa do ar aumentam a pressão sobre o sistema de saúde pública. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais afetados durante os períodos de seca intensa.
Segundo Souza, as mudanças climáticas já alteram de forma concreta o regime ambiental, encurtando a janela considerada segura para ações preventivas e ampliando a duração do período de risco. “A vegetação seca mais rápido e de forma mais profunda. A umidade do ar despenca mais cedo no ano. A janela segura para a realização de queimas preventivas encolhe, tornando o manejo mais arriscado.”
*Com informações do Brasil de Fato
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