Em relatório com mais de 800 páginas, a Polícia Federal detalha o esquema de espionagem ilegal estruturada por meio da Abin Paralela

Chefiado por Carlos Bolsonaro, o Gabinete do Ódio era utilizado para atacar a reputação de adversários políticos de Bolsonaro, aponta a PF
Após dois anos de investigação, a Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro, o filho dele, Carlos Bolsonaro, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cometeram crime e utilizaram a estrutura da entidade para espionar adversários políticos, jornalistas, advogados e outros alvos. O relatório final da operação deflagrada para apurar o caso aponta que ferramentas tecnológicas, como o software “First Mile”, foram usadas para monitoramento ilegal.
A PF afirma que os alvos da chamada Abin Paralela eram adversários políticos de Bolsonaro e de seus filhos, além de pessoas que eventualmente incomodam o governo, como jornalistas que escreviam matérias críticas. A prática se assemelha ao período da ditadura, quando a imprensa era vigiada de perto por censores e por integrantes das Forças Armadas, em uma tentativa de silenciar profissionais e calar políticos de oposição ao regime. O documento com os detalhes da organização criminosa montada para operar o esquema foi enviado ao Supremo Tribunal Federal.
O atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa e outros nomes também foram indiciados, pois as diligências também apuraram a prática de eventual obstrução de Justiça. Desde a gestão Bolsonaro, marcada por aparelhamento da máquina pública para uso político e perseguições, autoridades já alertavam para a existência do chamado Gabinete do Ódio. As atividades ilegais desta organização vão além da espionagem e envolvem também a tentativa de destruir a reputação pública de pessoas que incomodassem a cúpula do regime que perdurou no Brasil entre 2019 e 2022.
No Supremo
O caso está no Supremo sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A partir do relatório final da investigação, a Procuradoria-Geral da República decide ou não se denúncia os acusados. Se isso for feito e o Supremo aceitar a denúncia, os envolvidos se tornam réus em uma ação penal que será aberta na Corte. Jair Bolsonaro já é réu em outra ação que apura a tentativa de golpe de Estado. Este último processo já está na reta final e deve ter audiência de instrução e julgamento até o mês de agosto.
O relatório detalhando o caso tem mais de 800 páginas e provas fartas da espionagem ilegal que ocorreu no Brasil durante o governo passado. A PF afirma que Jair Bolsonaro tinha pleno conhecimento da espioangem ilegal e seria o principal beneficiado. Ramagem é apontado como o chefe, por estar à frente da Abin, na época dos fatos, e ter operacionalizado o monitoramento de adversários.
Já Carlos Bolsonaro, de acordo com as investigações, era o responsável por receber os dados colhidos e espalhar na internet. Ele, de acordo com a Polícia Federal, chefiou o Gabinete do Ódio, com uso das redes sociais para tentar destruir a reputação de quem ousasse criticar o pai e demais familiares.
Com informações do PT Org
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