Presidente sustenta que suspeitos devem responder por seus atos após PF mirar líder do governo no Senado no caso Master
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria se preparado para a possibilidade de que as investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master alcançassem integrantes de seu círculo político mais próximo. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (18), após a Polícia Federal deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero.
A nova etapa da investigação incluiu mandados de busca e apreensão envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos principais aliados políticos de Lula. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto e ministros ouvidos pela colunista, o presidente já vinha discutindo internamente a possibilidade de que o caso atingisse figuras ligadas ao governo.
Lula teria adotado um discurso de defesa da autonomia da Polícia Federal, sustentando que qualquer pessoa sob suspeita deve prestar esclarecimentos e responder por eventuais irregularidades. Nos bastidores, aliados relatam que essa posição passou a ser repetida pelo presidente à medida que surgiam notícias sobre um possível envolvimento de Wagner nas apurações.
A mesma linha de argumentação já havia sido utilizada por Lula ao comentar investigações que mencionaram seu filho, Fábio Luís Lula da Silva. Em entrevista ao UOL, o presidente afirmou que ele teria que “pagar o preço” caso fosse constatada alguma responsabilidade em irregularidades relacionadas ao escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A coluna informa ainda que Lula teria conversado diretamente com Jaques Wagner sobre o tema. Na ocasião, segundo a reportagem, o senador procurou tranquilizar o presidente, afirmando que não teria participação direta nas fraudes financeiras investigadas pela Polícia Federal.
O avanço das investigações sobre o líder do governo é visto por integrantes do Planalto como um fator de potencial desgaste político para Lula em meio ao cenário eleitoral. A avaliação de interlocutores do governo é que o episódio pode reduzir uma vantagem que o presidente possuía em comparações com adversários sobre temas ligados a suspeitas de irregularidades.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, apareceu em gravações nas quais solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre seu pai. Com a inclusão de Jaques Wagner nas investigações, a percepção entre aliados é que o governo também passará a enfrentar questionamentos sobre o caso.
Segundo um integrante do núcleo mais próximo de Lula, o presidente teria reiterado diversas vezes que não pretendia interferir nas apurações. De acordo com esse relato, Lula afirmou repetidamente que a Polícia Federal deveria conduzir seu trabalho de forma independente e adotar as medidas que considerasse necessárias no âmbito da investigação.



