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Estudantes ocupam Campus Norte da UnDF contra mudança para prédio de instituição privada

Mobilização marca início de paralisação estudantil e levanta críticas a contrato milionário

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Nesta quarta-feira (18), estudantes da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) deram início ao ato OcupaUnDF, no Campus Norte, no Lago Norte. A mobilização marca o início de uma paralisação estudantil em defesa da educação pública e da permanência estudantil, motivada por decisões administrativas da reitoria que, segundo o movimento, ignoram o diálogo com a comunidade acadêmica e comprometem a trajetória dos estudantes.

O estopim da crise foi o anúncio da mudança repentina de parte das atividades para um prédio alugado do Centro Universitário IIesb, em Ceilândia. O contrato de aluguel é estimado em R$ 110 milhões por cinco anos, valor que o Diretório Central Acadêmico (DCA) considera incompatível com as prioridades da universidade, defendendo que os recursos deveriam ser destinados à assistência estudantil e à construção de uma sede própria.

A transferência é vista pelos estudantes como uma medida que pode ampliar a evasão. De acordo com o DCA, a mudança impacta diretamente alunos que dependem do transporte público e que organizam suas rotinas acadêmicas e profissionais com base na localização atual do campus.

Abandono e exclusão

“Eu saio 4h30 da manhã para estar aqui na universidade. Muitas vezes chego atrasada. Como é que eu vou sair daqui para chegar às 13h45 em Ceilândia? 90% da universidade vai ter que desistir”, desabafou Luciane Ferreira, moradora de Planaltina de Goiás e estudante da instituição.

Para a presidente do DCA, Bárbara Oliveira, a decisão foi tomada sem consulta à comunidade acadêmica. “O Ibaneis Rocha está fazendo isso sem a menor consulta dos alunos, prejudicando mais de 60% dos estudantes do Campus Norte, além dos impactos no Campus ZSG e no Campus Samambaia”, afirmou.

Assédio e perseguição política

O movimento estudantil também relata um ambiente de tensão dentro da universidade, com denúncias de assédio moral e represálias contra estudantes que aderiram à paralisação.

Bárbara Oliveira afirma ter sido coagida por professores e funcionários. “Um professor veio me enfrentar, gritou comigo e disse que eu não tinha direito de falar nada, que greve estudantil não existe. Estamos sofrendo represálias de professores que apoiam a reitoria e de administrativos terceirizados”, relatou.

Entre os casos citados, está o de uma estudante que teria recebido faltas indevidas mesmo após comprovar presença em atividade acadêmica por meio de registros fotográficos divulgados pela própria universidade. O movimento também denunciou o afastamento de um professor por suspeita de importunação sexual na plataforma de extensão UnDF360.

Precarização docente

A crise também atinge o corpo docente. A professora Isadora Ribeiro, da área de Gestão Ambiental, afirma que há desvalorização salarial no magistério superior da instituição.

“Eu ganho menos dando aula no ensino superior do que ganhava quando dava aula para o sexto ano do ensino fundamental”, disse.

Segundo ela, a baixa remuneração tem desestimulado a ocupação de vagas em concursos públicos. Entre as reivindicações dos professores estão a reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho e a defesa de uma gestão mais democrática, com maior participação da comunidade acadêmica.

O DCA também critica a falta de transparência no uso dos recursos, apontando que parte significativa da verba destinada ao campus em Ceilândia não teria destinação claramente detalhada.

Procurada para se pronunciar sobre as denúncias de assédio, a falta de consulta pública e os critérios para o gasto de R$ 110 milhões em aluguel, a Reitoria da UnDF não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

*Com informações do Brasil de Fato

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