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No entorno do DF, mulheres do campo fortalecem alimentação comunitária com produção destinada a famílias em vulnerabilidade

Produção de agricultoras em Padre Bernardo abastece rede assistencial pelo Programa de Aquisição de Alimentos

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produção de alimentos cultivados por mulheres do campo tem ganhado novos caminhos e significado em comunidades rurais de Padre Bernardo, em Goiás. Hortaliças, frutas, grãos e produtos de criação animal que saem de pequenas propriedades familiares estão sendo destinados diretamente à população em situação de vulnerabilidade social. O elo entre quem produz e quem precisa do alimento é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), política pública que une o fortalecimento da agricultura familiar ao combate à insegurança alimentar no país.

A iniciativa, acessada pelas agricultoras desde agosto de 2025, tem mobilizado cerca de 25 mulheres que integram a Cooperativa Agropecuária de Padre Bernardo (Coppab). Entre os alimentos produzidos estão pequenas olericulturas, frutas e polpas, além de criação de aves tanto para corte quanto para postura. As agricultoras também cultivam culturas anuais tradicionais, como mandioca, milho e feijão, que fazem parte da base alimentar brasileira. 

Criado pelo governo federal, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) realiza a compra direta da produção de agricultores familiares sem necessidade de licitação. Os alimentos adquiridos são destinados a equipamentos públicos de segurança alimentar e a instituições que atendem pessoas em situação de insegurança alimentar. O programa é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e executado em parceria com estados, municípios e a Companhia Nacional de Abastecimento.

Na prática, a produção das agricultoras de Padre Bernardo é destinada ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município, que distribui os alimentos às famílias cadastradas nos serviços socioassistenciais, que vivem em insegurança alimentar.

Para Adriana Milhomem, da coordenação estadual do Movimento de Mulheres Camponesas do Distrito Federal e Entorno (MMC-DF/Ride), o programa representa um avanço concreto na autonomia econômica das mulheres do campo. “A principal importância é a geração de renda dessas mulheres, que agora podem escoar suas pequenas produções para o programa de doação simultânea. O CRAS da prefeitura de Padre Bernardo está recebendo toda a variedade dessa produção, o que gera autonomia, fortalece as famílias com a renda e também melhora o bem-estar e a saúde mental dessas mulheres”, afirma. 

Segundo ela, o impacto do programa não se limita às agricultoras. As famílias atendidas pelo sistema de assistência social também se beneficiam com o acesso a alimentos frescos e variados. “Essa produção favorece o enriquecimento da alimentação das famílias que recebem os alimentos, com uma comida variada e saudável, fortalecendo a alimentação das pessoas em situação de vulnerabilidade na região de Padre Bernardo”, explica Milhomem.

Produção feminina e organização coletiva

Mulheres do Movimento de Mulheres Camponesas que integram a cooperativa. | Crédito: Movimento de Mulheres Camponesas

Grande parte das agricultoras envolvidas na iniciativa participam do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), organização nacional que atua na defesa dos direitos das mulheres rurais, da agroecologia e da soberania alimentar e na luta por uma reforma agrária popular.

O movimento tem sido um articulador para ampliar o acesso das agricultoras a políticas públicas. Um exemplo foi a mobilização para a realização de mutirões de documentação rural no município, que permitiram que diversas mulheres obtivessem o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), documento necessário para acessar programas governamentais. 

“O trabalho das mulheres do campo veio fomentar a iniciativa da doação simultânea do programa. Muitas produziam, mas não tinham para onde escoar nem mesmo suas pequenas produções. Com essa saída de venda através do PAA, isso fortalece muito a autonomia e a vontade de produzir cada dia mais”, destaca Adriana Milhomem.

A comercialização também estimula a diversificação da produção agrícola, característica da agricultura familiar e fundamental para garantir alimentos mais saudáveis e sistemas produtivos sustentáveis.

Agricultura familiar e combate à fome

Instituído pela Lei nº 10.696 de 2003 e atualmente regulamentado pela Lei nº 14.628 de 2023, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) integra as políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao fortalecimento da agricultura familiar no Brasil.

Entre seus objetivos estão estimular a produção de alimentos no campo, gerar renda para pequenos produtores e ampliar o acesso da população a alimentos de qualidade. Na versão atual do programa, cada agricultor pode comercializar até R$ 15 mil por ano nas modalidades de doação simultânea, formação de estoques e compra direta. 

Em municípios como Padre Bernardo, a política pública se soma ao protagonismo das mulheres rurais que transformam pequenas áreas produtivas em uma rede solidária de abastecimento alimentar.

Para Adriana Milhomem, essa combinação entre organização coletiva e políticas públicas revela o papel central das mulheres na produção de alimentos. “Quando as mulheres têm acesso às políticas públicas e conseguem organizar sua produção, toda a comunidade ganha. Fortalece a autonomia delas, fortalece as famílias e também garante comida saudável para quem precisa”, conclui. 

*Com informações do Brasil de Fato

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Fonte:BdF
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