Fiocruz identifica alta de casos graves de síndrome respiratória

Fundação aponta avanço das internações e reforça a importância da vacinação para os grupos vulneráveis. Vírus sincicial respiratório atinge mais as crianças, enquanto a influenza afeta as demais faixas etárias.

O avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre jovens, adultos e idosos voltou a acender o alerta em todo o país. O cenário é apresentado no novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado ontem, referente à Semana Epidemiológica 23, correspondente ao período de 7 a 13 de junho. Após semanas em que o crescimento estava mais concentrado nas crianças, os pesquisadores identificaram uma retomada das internações nas demais faixas etárias, impulsionada, principalmente, pela circulação dos vírus influenza A e B. Ao mesmo tempo, as hospitalizações relacionadas ao vírus sincicial respiratório (VSR) continuam elevadas entre crianças pequenas, embora já existam sinais de desaceleração da infecção dessa população.

De acordo com a análise da Fiocruz, o quadro nacional mostra redução dos casos graves entre crianças e adolescentes de cinco a 14 anos e uma desaceleração no crescimento das ocorrências em menores de quatro anos. Ainda assim, os especialistas observam que o impacto dos vírus respiratórios permanece significativo em diferentes regiões do país. O VSR segue sendo o principal responsável pelas internações infantis, enquanto a influenza tem provocado aumento das hospitalizações entre jovens, adultos e idosos, grupo em que também se concentra a maior parte das mortes associadas à SRAG.

A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo Boletim InfoGripe, destaca que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra as complicações provocadas pela influenza A e B. Conforme observa, crianças, idosos e pessoas com comorbidades precisam manter a imunização atualizada para reduzir o risco de agravamento da doença. Ela também chama atenção para a importância da vacinação das gestantes a partir da 28ª semana de gravidez contra o vírus sincicial respiratório, estratégia considerada essencial para proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida.

Covid avança

Tatiana alerta para o leve aumento da covid-19 observado em alguns estados. Diante desse cenário, a recomendação é que idosos e pessoas imunocomprometidas mantenham as doses de reforço em dia. Além da vacinação, ela orienta a adoção de medidas de proteção, como o uso de máscaras em ambientes fechados, locais com grande concentração de pessoas e unidades de saúde. Em caso de sintomas gripais, a indicação é permanecer em isolamento. Quando isso não for possível, a recomendação é utilizar máscaras de boa qualidade para diminuir o risco de transmissão.

O levantamento mostra que 14 das 27 unidades da federação apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, associada a crescimento na tendência de longo prazo. Nessa situação estão Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Outras nove unidades da Federação registram níveis elevados de ocorrência, mas sem sinal de crescimento nas últimas seis semanas. Fazem parte desse grupo Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

BRA-Vacinas
BRA-Vacinas(foto: Valdo Virgo)

Em relação ao comportamento do VSR, os casos continuam avançando na maior parte dos estados do Nordeste — sobretudo Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte. A tendência também é observada no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de Amapá, Roraima, Rio de Janeiro e São Paulo. Em contrapartida, os dados apontam interrupção do crescimento ou início de queda em toda a Região Centro-Oeste e em estados como Acre, Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, embora os índices ainda permaneçam elevados.

Capitais

A situação das capitais também exige atenção. Onze cidades apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, acompanhada por crescimento nas últimas seis semanas. Entre elas estão Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória. Outras 12 capitais continuam registrando atividade intensa da síndrome, porém sem tendência de aumento no longo prazo — casos de Aracaju, Brasília, Cuiabá, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Na capital paulista, a Fiocruz identificou uma diminuição dos casos graves entre crianças pequenas, resultado associado à redução das infecções pelo VSR. Entretanto, o aumento das internações entre jovens, adultos e idosos continua sendo observado na cidade, cenário que os pesquisadores relacionam à maior circulação dos vírus influenza. O comportamento registrado em São Paulo acompanha a tendência observada em outras regiões.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o VSR respondeu por 51,4% dos casos positivos de SRAG identificados laboratorialmente. Em seguida, aparecem o rinovírus, responsável por 23,9%; a influenza A, com 19,1%; a influenza B, com 7,1%; e o Sars-CoV-2, causador da covid-19, com 2,2%. Entre os óbitos registrados nesse mesmo período, a influenza A aparece como principal responsável —43,7% dos resultados positivos. O rinovírus correspondeu a 20,4%; o VSR, 16,9%; a influenza B, 10,5%; e a covid-19, 7,2%.

Desde o início do ano epidemiológico de 2026, o país notificou 89.725 casos de SRAG. Desse total, 44.485 tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, enquanto 31.637 apresentaram resultado negativo e pelo menos 7.740 ainda aguardam conclusão dos exames. No mesmo período, foram registrados 3.842 óbitos relacionados à síndrome.

A Fiocruz mostra que a incidência da SRAG continua mais elevada entre as crianças pequenas, principalmente em razão da circulação do VSR. Já a mortalidade permanece concentrada entre os idosos, especialmente aqueles com 65 anos ou mais, faixa etária em que a influenza A representa a principal causa.

Com informações correio braziliense

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