Nota confusa do Copom produz forte alta do dólar e dos juros futuros

Comunicação do Banco Central após corte da Selic aumentou a desconfiança do mercado, enquanto tom conservador do Fed fortaleceu a moeda americana

A nota considerada confusa pelo mercado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) produziu forte alta do dólar e dos juros futuros nesta quinta-feira. A moeda americana fechou cotada a R$ 5,1740, em valorização de 1,30%, enquanto os contratos de juros de médio e longo prazo subiram com força, refletindo a piora na percepção de risco sobre a condução da política monetária no Brasil.

As informações foram publicadas pelo Valor Econômico, em cobertura sobre a reação dos mercados às decisões do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Embora o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, já fosse esperado, a comunicação do Copom gerou mal-estar entre investidores e provocou uma reprecificação dos ativos financeiros.

Dólar dispara e real fica entre os piores desempenhos globais

O dólar à vista teve forte valorização frente ao real durante o pregão. A moeda americana encerrou o dia a R$ 5,1740, após tocar a mínima de R$ 5,1281 e atingir a máxima de R$ 5,1897.

O movimento ocorreu em um dia de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelo tom conservador do Federal Reserve. Nos Estados Unidos, a manutenção dos juros já era esperada, mas a sinalização do banco central americano reforçou a percepção de que o processo de flexibilização monetária poderá ser mais lento do que parte do mercado projetava.

No Brasil, porém, a pressão sobre o câmbio foi intensificada pela reação negativa à comunicação do Copom. A nota divulgada após a decisão foi lida como pouco clara e mais “dovish”, ou seja, menos inclinada ao aperto monetário. Essa interpretação aumentou as dúvidas sobre a capacidade do Banco Central de conduzir a inflação para a meta de 3%.

Com isso, o prêmio de risco embutido no câmbio subiu durante a sessão. O real registrou o segundo pior desempenho entre as 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo mercado. O euro comercial também avançou, com alta de 0,97%, encerrando o dia cotado a R$ 5,9270.

Juros futuros longos sobem com desconfiança sobre o Copom

A principal reação negativa ocorreu na curva de juros futuros. A comunicação do Copom provocou uma inclinação relevante da estrutura a termo, com queda nos vencimentos de curtíssimo prazo e alta nas taxas de médio e longo prazo.

Esse comportamento indica que o mercado passou a precificar uma Selic mais baixa nos próximos meses, mas também a possibilidade de um novo aperto monetário no futuro. A leitura predominante é que investidores passaram a exigir prêmio maior diante da incerteza sobre a convergência da inflação à meta.

Ao fim dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2027 recuou de 14,30% para 14,235%, acompanhando a expectativa de novos cortes no curto prazo. Já os vértices mais longos avançaram de forma expressiva.

O DI para janeiro de 2028 fechou a 14,70%, ante 14,56% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2029 terminou a 14,765%, contra 14,595% anteriormente. Já o DI para janeiro de 2031 encerrou a sessão a 14,69%, acima dos 14,485% do ajuste anterior.

A abertura das taxas longas mostra que, embora o mercado veja espaço para redução da Selic no curto prazo, aumentou a percepção de que o Banco Central poderá ser obrigado a adotar uma postura mais dura adiante caso a inflação não caminhe de forma consistente para a meta.

Ibovespa tem leve queda, mas reage menos que câmbio e juros

O Ibovespa também sentiu o impacto dos comunicados do Copom e do Fed, mas de forma menos intensa. Depois de abrir em queda, o principal índice da bolsa brasileira reduziu parte das perdas ao longo da tarde e passou a oscilar próximo da estabilidade até o fechamento.

A reação da bolsa foi mais moderada do que a observada no dólar e nos juros futuros. Ainda assim, o ambiente de incerteza sobre inflação, juros e política monetária pesou sobre os ativos de risco.

Entre os bancos, o desempenho foi misto. Bradesco PN fechou em baixa de 0,46%, cotado a R$ 17,47. Banco do Brasil ON avançou 0,62%, a R$ 19,53. Já BTG Pactual UNT subiu 0,91%, encerrando o pregão a R$ 50,85.

Mercado reage ao ruído na comunicação do Banco Central

A sessão evidenciou a importância da comunicação dos bancos centrais para a formação das expectativas do mercado. No caso brasileiro, o problema não foi o corte da Selic em si, mas a forma como o Copom explicou sua decisão e sinalizou os próximos passos da política monetária.

A leitura de parte dos investidores foi que o Banco Central reduziu os juros em um ambiente ainda marcado por incertezas inflacionárias, sem oferecer uma mensagem suficientemente firme sobre o compromisso com a meta de 3%.

Ao mesmo tempo, o tom conservador do Fed reforçou a força global do dólar e reduziu o apetite por ativos de mercados emergentes. Juros elevados nos Estados Unidos tornam aplicações em dólar mais atraentes e pressionam moedas como o real.

A combinação entre ruído doméstico e cautela externa resultou em uma sessão negativa para o mercado brasileiro. O dólar disparou, os juros futuros longos subiram e o Ibovespa encerrou em leve baixa, refletindo a desconfiança dos investidores diante das sinalizações do Copom e do Federal Reserve.

Com informações Brasil 247

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias