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Lula busca aproximação com presidentes de direita para evitar cerco de Trump na América do Sul

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Lula busca aproximação com presidentes de direita para evitar cerco de Trump na América do Sul

Sob pressão crescente do governo de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem intensificado esforços para estreitar relações com chefes de Estado de direita na América Latina. A movimentação foi revelada em reportagem do jornal Estado de S.Paulo reflete a leitura do Palácio do Planalto de que os Estados Unidos buscam isolar o Brasil e fragilizar a liderança de Lula no continente.

Segundo integrantes do governo, há temor de que Trump tente reeditar um mecanismo semelhante ao antigo Grupo de Lima, criado por governos conservadores para isolar a Venezuela, desta vez mirando o Brasil. A estratégia do Planalto é fortalecer vínculos políticos e econômicos com países vizinhos, independentemente de alinhamento ideológico, de forma a reduzir espaços para hostilidade contra o País.

Pressão dos EUA

A avaliação ganhou força após medidas recentes da Casa Branca. Na última semana, Trump publicou relatório crítico à situação dos direitos humanos no Brasil, aplicou sanções a auxiliares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em razão do programa Mais Médicos, e declarou que o Brasil seria um “péssimo parceiro comercial”. Além disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, cancelou uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após pressão de grupos ligados ao bolsonarismo nos Estados Unidos.

No Planalto, a leitura é de que os movimentos de Washington sinalizam não apenas desavenças comerciais, mas um esforço político para “esticar a corda” em busca de instabilidade no Brasil, inclusive mirando as eleições presidenciais de 2026.

Ações diplomáticas

Nesse cenário, Lula decidiu ampliar contatos com governantes de direita. Na segunda-feira (18), recebeu no Planalto o presidente do Equador, Daniel Noboa, que buscou aproximação com Brasília. Lula destacou o caráter pragmático da relação bilateral:

“Diferenças políticas não devem se sobrepor ao objetivo maior de construir uma região forte e próspera”, disse o presidente. Noboa, por sua vez, classificou o encontro como “um marco do recomeço nas relações políticas, comerciais e culturais”, acrescentando que “as discussões ideológicas ficaram no passado”.

Além da cooperação comercial — que inclui promessa de equilibrar a balança desfavorável ao Equador, com aumento das compras brasileiras de banana e camarão —, Lula prometeu reforçar a cooperação policial. O Brasil enviará um adido da Polícia Federal a Quito e poderá atuar em operações contra contrabando de armas e facções criminosas em presídios equatorianos.

Outro aceno partiu do Panamá. O presidente José Raúl Mulino deve visitar Brasília no dia 28, levando propostas de aprofundar relações econômicas, incluindo a compra de aeronaves da Embraer e a atração de investimentos brasileiros para o Canal do Panamá.

Eleições na região

A movimentação brasileira também tem como pano de fundo o calendário eleitoral da América do Sul. Na Bolívia, dois candidatos de direita disputarão o segundo turno, enquanto a esquerda, pela primeira vez em 20 anos, ficou fora da corrida presidencial. O governo brasileiro já sinalizou que reconhecerá o resultado, rechaçando a narrativa de “eleição ilegítima” defendida por Evo Morales.

No Chile, a expectativa é de que José Antonio Kast, político de extrema direita, seja competitivo nas eleições presidenciais deste ano. O Planalto avalia que manter canais de diálogo com eventuais vencedores conservadores é essencial para evitar instabilidades regionais, sobretudo diante da crise migratória venezuelana.

Relações estratégicas

Apesar da distância ideológica, o governo acredita que grandes projetos de integração, como o gasoduto Brasil-Bolívia e a compra de gás da reserva argentina de Vaca Muerta, funcionam como garantias contra rupturas políticas. A relação com o Paraguai, abalada pelo episódio de espionagem da Abin, também deverá ser retomada, após encontros entre Lula e o presidente Santiago Peña.

Ainda assim, diplomatas em Brasília acompanham com preocupação a aproximação de governos vizinhos com Washington. O Paraguai, por exemplo, assinou recentemente acordo com os EUA sobre combate ao crime organizado e imigração ilegal.

Disputa de longo prazo

Aliados de Lula veem a tensão com Trump como parte de uma disputa prolongada contra a extrema direita global, que transcende a figura de Jair Bolsonaro. “Figuras do governo Trump veem a América Latina sob a ótica de seu ‘quintal’ e não devem tolerar a desobediência que Lula representou”, disse um conselheiro presidencial, acrescentando que a Casa Branca estaria adotando uma política de “palmatória” para dar exemplo aos demais países da região.

Como resposta, Lula pretende organizar em setembro, em Nova York, uma nova rodada de discussões internacionais em defesa da democracia e da soberania, reunindo mais de 30 países — inclusive lideranças fora do campo progressista.

Com informações da brasil247

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