Governadores estão mais sensíveis a acordo para conter alta do diesel, diz Simone Tebet

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou nesta segunda-feira que os governadores estão mais “sensíveis” às negociações com o governo federal para conter a alta do diesel, em meio ao impacto da guerra internacional sobre os preços do petróleo. A informação foi publicada originalmente pelo jornal O Globo.

Segundo Tebet, o governo trabalha para construir uma solução temporária que permita amenizar a pressão sobre os combustíveis e, por consequência, sobre a inflação. A ministra sinalizou otimismo com o avanço das conversas e indicou que pode haver novidades em breve.

Negociações avançam em meio à pressão sobre os combustíveis

Ao comentar o cenário, Simone Tebet destacou que o governo acompanha de forma permanente os efeitos da crise internacional sobre os preços dos combustíveis e tenta encontrar mecanismos para impedir novas altas ao consumidor.

“Está avançando alguma coisa nesse sentido, ainda que temporariamente. Acho que os governadores estão mais sensíveis e a gente pode ter alguma coisa relativamente nova e positiva vindo por aí. A gente está muito otimista”, disse a ministra.

A declaração revela que o Palácio do Planalto tenta construir uma saída emergencial para um problema que tem impacto direto no custo de vida, especialmente entre os setores mais vulneráveis da população. O diesel, além de afetar o transporte de cargas, pressiona toda a cadeia de preços da economia.

Tebet ressaltou que o objetivo central, neste momento, não é provocar uma redução imediata no valor do combustível, mas ao menos impedir que a escalada continue.

“Queda não vai ter nunca, mas só de não ter o aumento já não gera o impacto inflacionário que pega sempre os mais pobres”, afirmou.

Proposta prevê divisão de subsídio entre União e estados

A alternativa em discussão envolve um subsídio temporário ao diesel importado. Pelo modelo debatido até agora, União e estados dividiriam o custo de um abatimento de R$ 1,20 por litro, cabendo R$ 0,60 a cada parte.

Nesse desenho, o governo federal faria o repasse diretamente aos importadores. Depois, buscaria compensar os valores correspondentes aos estados, possivelmente por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

A proposta, porém, enfrenta resistências. Governadores alegam que muitos estados já operam com espaço fiscal reduzido e não teriam margem para abrir mão de receitas, ainda mais em um ambiente de forte restrição orçamentária.

Na semana passada, secretários estaduais de Fazenda chegaram a se reunir com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, mas o encontro terminou sem consenso. Ainda assim, o governo segue apostando na negociação política como caminho para viabilizar a medida.

Mesmo sem necessidade de unanimidade entre os estados, a equipe econômica avalia que uma adesão parcial pode dificultar a implementação do subsídio, tanto do ponto de vista operacional quanto político.

Impacto fiscal e entraves constitucionais entram no debate

Simone Tebet também chamou atenção para os limites legais e orçamentários de qualquer medida que envolva renúncia de receita. Segundo ela, propostas dessa natureza precisam respeitar as regras constitucionais e prever compensações fiscais, o que torna a operação mais complexa.

Esse fator pesa ainda mais em ano eleitoral, quando aumentam os questionamentos sobre medidas fiscais e sua legalidade. Por isso, além da negociação com os estados, o governo sabe que também dependerá de articulação com o Congresso Nacional.

O plano em discussão teria caráter temporário, com duração prevista até o fim de maio. O custo total estimado gira em torno de R$ 3 bilhões, a serem divididos entre a União e os governos estaduais.

A discussão ocorre num momento de forte pressão sobre o mercado de combustíveis. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel já acumula alta superior a 20% desde o início da escalada do conflito no Oriente Médio.

Governo busca frear inflação e proteger os mais pobres

A fala da ministra reforça a preocupação do governo com os efeitos sociais do encarecimento dos combustíveis. O diesel tem peso relevante na logística, no transporte rodoviário e no abastecimento nacional, o que significa que seu aumento tende a se espalhar rapidamente para alimentos, mercadorias e serviços.

Nesse contexto, a estratégia federal busca evitar que a pressão internacional se traduza em nova deterioração do poder de compra da população. Ao destacar que a inflação “pega sempre os mais pobres”, Tebet reafirma o foco social da tentativa de estabilização.

A avaliação política dentro do governo é que conter novos reajustes pode ajudar a reduzir tensões econômicas e preservar algum grau de previsibilidade num cenário internacional ainda marcado por instabilidade.

“Taxa das blusinhas” tem peso pequeno no Orçamento, diz Tebet

Além do tema dos combustíveis, a ministra comentou o debate sobre a chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais de pequeno valor. Tebet minimizou o efeito fiscal da cobrança e afirmou que o tema tem relevância muito mais política e econômica do que orçamentária.

Segundo ela, a arrecadação ligada a essa tributação ficou próxima de R$ 2 bilhões no último ano, valor que, em sua visão, tem peso limitado dentro do conjunto das contas federais.

“Aí a questão é outra, de avaliação no impacto disso em relação ao varejo, em relação aos empregos diretos e indiretos do povo brasileiro, aí é uma outra discussão política que vai ser tratada, discutida de novo no fórum competente que envolve o Congresso Nacional”, declarou.

A ministra sinalizou, assim, que o centro do debate não está no alívio fiscal proporcionado pela medida, mas nos efeitos que ela produz sobre o comércio nacional, a concorrência com plataformas internacionais e o mercado de trabalho brasileiro.

Ala política volta a discutir revogação da medida

De acordo com a reportagem original, o governo voltou a avaliar a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, aplicada sobre importações de até US$ 50. A movimentação estaria sendo conduzida sobretudo pela ala política do Executivo.

Entre os nomes envolvidos estaria o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, além de setores da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Até o momento, porém, a discussão ainda não envolveria diretamente o Ministério da Fazenda.

A cautela de Tebet ao tratar do assunto indica que o governo sabe estar diante de uma pauta sensível, que mistura arrecadação, proteção ao varejo nacional, emprego e desgaste político. Por isso, qualquer decisão tende a depender da evolução das negociações entre as áreas econômica e política do governo, além do Congresso.

Cenário segue indefinido, mas Planalto aposta em solução emergencial

As declarações de Simone Tebet mostram que o governo busca ganhar tempo e construir um arranjo emergencial para enfrentar a alta do diesel sem aprofundar os desequilíbrios fiscais.

Ao indicar que os governadores estão mais receptivos, a ministra sugere que o ambiente político pode estar mudando, ainda que lentamente. O desafio agora é transformar essa maior abertura em uma solução prática, juridicamente segura e operacionalmente viável.

Num cenário de guerra internacional, petróleo pressionado e inflação ainda sensível, o governo tenta impedir que os custos da crise recaiam de forma ainda mais pesada sobre a população brasileira.

Com informações do Brasil247

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Câmara dos EUA aprova medida para limitar poderes de guerra de Trump no Irã

    Câmara dos EUA aprova medida para limitar poderes de guerra de Trump no Irã

    Medida exige autorização do Congresso para novas ações militares e evidencia divisão entre republicanos Segundo informações da CNN, repercutidas pelo Brasil 247, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (23) uma resolução que limita os poderes do presidente Donald Trump para realizar ações militares contra o Irã sem autorização prévia do Congresso.…


  • Ação judicial de partidos de esquerda pede que big techs removam fake news de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

    Ação judicial de partidos de esquerda pede que big techs removam fake news de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

    Uma ação judicial movida por partidos de esquerda solicita que as principais plataformas digitais removam conteúdos publicados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) que, segundo os autores, disseminam informações falsas sobre a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas. A iniciativa foi apresentada à Justiça Eleitoral após declarações do parlamentar questionando, sem apresentar provas, a integridade…


  • Rússia realiza novos ataques contra infraestrutura portuária da Ucrânia

    Rússia realiza novos ataques contra infraestrutura portuária da Ucrânia

    Ofensiva atingiu instalações no porto de Odessa e estruturas que, segundo Moscou, eram utilizadas para fins militares. Ceilândia em Alerta – Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, a Rússia realizou uma nova ofensiva com mísseis e drones contra a infraestrutura portuária da Ucrânia nesta quinta-feira (23), tendo como principal alvo o porto de Odessa, no…


Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Mais Notícias