O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou nesta terça-feira (20) a linha central que pretende adotar no debate político nas eleições de 2026. Ao discursar em um evento de entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande (RS), Lula defendeu que este ano seja marcado por uma comparação direta entre os resultados de sua gestão e os governos que o antecederam.
O posicionamento foi expresso durante discurso público do presidente Lula no evento no Rio Grande do Sul, no qual ele fez um balanço político do atual governo e projetou o enfrentamento eleitoral futuro. Segundo o presidente, após um período de reconstrução nacional, o momento agora é de apresentar resultados concretos à população. “Depois de dois anos de reconstrução, a gente começou a preparar a terra e a plantar. Passamos o ano inteiro de 2025 recuperando este país, plantando as coisas, cuidando da terra, colocando fertilizantes, e agora vamos começar a colheita”, afirmou.
Lula destacou que a comparação proposta deve envolver áreas centrais da ação do Estado e confrontar diretamente os indicadores de sua gestão com os dos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). “Precisamos transformar o ano de 2026 no ano da comparação. Vamos pegar a data em que foi feito o impeachment da Dilma em 2016, vamos pegar o governo Temer e o governo Bolsonaro. E vamos fazer uma comparação. O que nós fizemos em três anos com o que eles fizeram em sete anos”, declarou.
O presidente enumerou setores que, segundo ele, devem ser analisados nesse confronto de resultados. “Vamos fazer uma comparação na educação, na saúde, nas rodovias, nas casas, na concessão de títulos para as pessoas, nas terras indígenas, nas terras quilombolas, no Prouni. Nós vamos comparar cada coisa que fizemos em três anos comparado com o deles”, disse, ao defender que o debate eleitoral se baseie em dados objetivos.
Durante o discurso, Lula também fez críticas duras ao que classificou como disseminação sistemática de desinformação no país. Para ele, a política brasileira precisa romper com práticas baseadas em notícias falsas e ataques pessoais. “É preciso acabar com a era da mentira nesse país. Não é possível esse país estar subordinado à leviandade da mentira de pessoas que não têm respeito às crianças, às mulheres, às pessoas idosas e acham que pode ficar mentindo 24 horas por dia na internet”, afirmou.
O presidente relatou ainda experiências pessoais recentes para ilustrar como, segundo ele, declarações são retiradas de contexto e manipuladas nas redes sociais. “Eles querem pegar uma ou duas palavras minhas para que possam distorcer e mandar para o mundo da internet. E nós não temos que aceitar esse tipo de coisa. Temos que começar a divulgar a verdade, para que a gente possa convencer aquelas pessoas que passam o dia inteiro no celular”, disse.
Lula ainda afirmou que a decisão final caberá ao eleitorado, mas reforçou que não aceitará a normalização do que considera práticas degradantes no debate público. “Depois de fazer a comparação, o povo vai decidir o que ele quer para esse país. Mas eu não vou, enquanto eu for vivo, permitir que o povo brasileiro esteja subordinado à leviandade, à mentira, à grosseria e à falta de respeito”, concluiu, ao atribuir à sociedade como um todo a responsabilidade pela qualidade do ambiente político nacional.
Originalmente publicado em Brasil247
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