Integrantes do governo federal demonstram preocupação com as repercussões políticas da delação do banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação interna é de que o empresário possa tentar envolver membros do Executivo, ampliando o alcance político do escândalo.
Segundo reportagem do jornal O Globo, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), passo inicial para a formalização de um acordo de colaboração. A movimentação elevou a tensão entre auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que temem possíveis desdobramentos.
Governo avalia riscos de delação
Nos bastidores, a leitura de integrantes do governo é de que o banqueiro “não tem nada a perder” e poderia, por isso, adotar uma estratégia que provoque turbulência política.
Auxiliares de Lula argumentam que as autoridades já dispõem de dados relevantes, como informações bancárias e conteúdos extraídos de aparelhos celulares de Vorcaro, o que, na avaliação deles, seria suficiente para sustentar a investigação sem depender de um acordo de colaboração.
Movimentações recentes de Vorcaro
O banqueiro foi transferido de um presídio federal no Distrito Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília após firmar o termo de confidencialidade. A mudança é interpretada como um indicativo de avanço nas negociações para eventual delação premiada.
Ligações políticas sob análise
O governo tem sustentado publicamente que o caso Master envolve, em maior medida, figuras ligadas à direita. Em redes sociais, apoiadores chegaram a rotular o episódio como “Bolsomaster”.
As conexões entre Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e integrantes do governo, como o líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, são tratadas como secundárias por aliados do Planalto. A justificativa é a ausência, até o momento, de provas concretas de benefício direto.
O caso do Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos, também entrou no radar. Após a privatização do serviço em 2018, um decreto do então governador da Bahia, Rui Costa, ampliou as possibilidades de uso do produto, o que passou a ser analisado no contexto das investigações.
Declarações e reações
Nesta semana, o portal Metrópoles revelou que a nora de Jaques Wagner recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master por meio da empresa BK Financeira. Em resposta, o senador afirmou que não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada.
Com o avanço das negociações entre Vorcaro e as autoridades, o cenário político permanece sob expectativa, enquanto o governo acompanha de perto os possíveis desdobramentos da investigação.
Com informações do Brasil247
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