Fernando Haddad (PT) foi oficialmente exonerado do cargo de ministro da Fazenda na manhã desta sexta-feira (20) e já teve seu primeiro compromisso como pré-candidato ao governo de São Paulo: um café da manhã com jornalistas. No encontro, ele afirmou que o partido deve priorizar a campanha no interior do estado, onde perdeu para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022.
“Eu perdi em 2022 por conta da dificuldade de penetração no interior e é um desafio fazer um diálogo com setores mais conservadores, convencer as pessoas da modernidade, que seguir em frente é importante, não pode haver retrocesso”, afirmou Haddad.
Além do desempenho no interior paulista, o petista também elencou outro tema que terá prevalência em sua campanha. “O combate ao feminicídio será prioridade. No último debate que fizemos em 2022, eu perguntei ao Tarcísio sobre o combate à violência contra a mulher e ele disse que o faria, mas os números mostram que ele não cuidou desse assunto”.
O número de vítimas de feminicídio em São Paulo aumentou 96,4% em 2025, na comparação com 2021. Em 2026, 270 mulheres foram assassinadas, ante 136 vítimas em 2021. O levantamento é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e foi divulgado no dia 4 de março deste ano.
Haddad afirmou, ainda, que tem “visto muitas vulnerabilidades, uma falta de encantamento em São Paulo, com o destino do estado e com a própria gestão. Há áreas que não avançaram. Eu quero fazer um debate de alto nível, vou me basear em dados e compreendendo os desafios do estado. Educação é algo que tem me preocupado muito, estou muito preocupado com o que estou vendo aqui. No que depender de nós, o nível do debate será de ideias.”
O ex-ministro também falou sobre sua disposição para disputar o governo de São Paulo, em resposta às especulações de que não teria o desejo de concorrer ao cargo neste ano.
“Você não pega uma frase minha falando em sacrifício, isso não existe. Uma pessoa que disputou campanha em 2022, 2018, 2016, você [não] vai colocar em dúvida a minha disposição de brigar pelas ideias que acredito. Eu me lembro o tempo que levou para o Tarcísio abandonar o desejo de ser senador por Goiás, que é de onde ele é. Ele não tem nenhuma familiaridade com São Paulo”, disse.
Alianças
Haddad falou sobre a possibilidade de ampliar o arco de alianças do PT em São Paulo para partidos fora do espectro ideológico defendido pelos petistas, se aproximando de legendas do centrão, para viabilizar a articulação com o interior.
“No mínimo teremos a coalização de 2022, estou trabalhando com esse cenário. Se for possível ampliar, vamos tentar, desde que não tenha problema de conflito com o programa de governo. Não tenho nenhum preconceito contra apoio de partidos conservadores, desde que respeitados os princípios e valores do nosso projeto para São Paulo”, disse Haddad, que defendeu a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa nacional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará a reeleição à presidência da República.
“Acho que é natural que o Alckmin seja o vice, até pelos adjetivos que o próprio presidente fez questão de frisar ontem. O Alckmin está muito confortável onde está, eu sou mais entusiasta que os dois mantenham uma chapa muito importante para o Brasil. Vamos ver como terminam as conversas com todos os setores da sociedade, quero ouvir a opinião do Alckmin, foi governador quatro vezes em São Paulo. É uma pessoa com muita experiência e que nos ajudou muito em 2022”, finalizou.
Com informações do Brasil de Fato
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