O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (20) os efeitos da privatização da BR Distribuidora sobre o controle dos preços dos combustíveis no Brasil. A declaração foi feita durante evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Segundo discurso apresentado no evento, Lula apontou que a ausência da distribuidora sob controle estatal compromete a capacidade de garantir que reduções ou aumentos definidos pela Petrobras cheguem ao consumidor final.
Durante sua fala, o presidente resgatou o histórico da criação da Petrobras e as disputas políticas em torno do setor energético. “Essa refinaria estava produzindo apenas 60% daquilo que tinha capacidade de produzir. Muitas vezes a gente esquece das coisas ruins que outros fizeram e acha que tudo sempre foi maravilhoso”, afirmou. Ele também relembrou a mobilização popular que levou à criação da estatal: “Até que o povo criou consciência e coragem e foi à rua para gritar e construir a Petrobras, dizendo que ‘o petróleo é nosso’”.
Lula criticou iniciativas passadas que, segundo ele, fragilizaram a empresa. “Mesmo depois de a Petrobras provando o sucesso que provou, sempre aparece alguém insinuando alguma desvantagem na Petrobras para vender um pedaço da Petrobras”, disse, citando tentativas de mudança no nome da companhia e a venda de ativos.
O presidente destacou ainda a política adotada em seu primeiro mandato para tentar influenciar os preços do gás. “Quando ganhei as eleições em 2003 eu comprei uma distribuidora de gás e comprei para a gente tentar ter controle do preço do gás entregue pela Petrobras”, afirmou. Ele comparou os valores praticados ao longo da cadeia: “Não é possível a Petrobras entregar um botijão de 13kg por R$ 37 e ele chegar ao consumidor a R$ 150”.
Ao abordar a venda da BR Distribuidora, Lula foi direto ao apontar os impactos. “Hoje, se a BR estivesse na nossa mão, a gente teria a garantia de que o preço que a Petrobras aumenta ou não aumenta chegaria na bomba para o consumidor, de etanol, de gasolina ou de diesel”, declarou. Segundo ele, a ausência da estatal no segmento de distribuição altera a dinâmica do mercado: “Mas como a gente não tem mais a distribuidora, a Petrobras determina um preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor e o consumidor fica chupando o dedo”.
O presidente também criticou o processo de privatizações no setor. “Eles desmontaram aquilo que era uma fonte de regulação da Petrobras. Eles foram vendendo fatias, vendendo plataformas, desativando outras”, afirmou. Lula observou ainda que não houve mobilização social significativa contra essas decisões à época: “Quando eles venderam a BR, não houve nenhuma greve para impedir. Devia ter tido”.
Ao comentar comparações entre gestões na Petrobras, Lula defendeu a atual administração da companhia. “Ela é infinitamente melhor, conhece muito mais. Agora, nem sempre a gente pode atender a tudo”, disse, em referência à presidente Magda Chambriard.
O evento em Betim marcou a visita do presidente à Regap e o anúncio de novos investimentos da Petrobras em Minas Gerais. A estatal prevê aplicar R$ 9 bilhões no estado, com estimativa de geração de 36 mil empregos. Dentro do Plano de Negócios 2026-2030, estão previstos R$ 3,8 bilhões em investimentos na refinaria, com potencial de criação de cerca de 8 mil postos de trabalho.
Com informações do Brasil247
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