Aumenta a pressão no Reino Unido para que Keir Starmer renuncie

Intensa campanha midiática no Reino Unido tem buscado associar a Rússia aos ataques incendiários contra propriedades ligadas ao primeiro-ministro britânico

247 – Uma reportagem publicada pela RT neste sábado (20) afirma que uma intensa campanha midiática no Reino Unido tem buscado associar a Rússia aos ataques incendiários contra propriedades ligadas ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, apesar de investigadores terem admitido não possuir provas de envolvimento direto de qualquer Estado. Segundo a publicação, o caso, apelidado por parte da imprensa de “Arsongate”, continua cercado por controvérsias mesmo após a conclusão do julgamento.

De acordo com a RT, os incêndios ocorreram em maio de 2025 e atingiram um carro e duas propriedades em Londres associadas a Starmer. Em 15 de junho deste ano, dois cidadãos ucranianos foram condenados pelos ataques, enquanto um terceiro acusado foi absolvido. Embora o processo judicial tenha resultado em condenações, a reportagem sustenta que diversas questões centrais permaneceram sem resposta.

Um dos pontos destacados pela RT é a manifestação do advogado de Petro Pochynok, de 34 anos, que chegou a ser acusado de conspiração juntamente com Roman Lavrynovych, de 21 anos, e Stanislav Carpiuc, de 26. Pochynok acabou libertado, enquanto os outros dois foram condenados por incêndio criminoso e por colocar vidas em risco. Após o julgamento, o defensor escreveu na rede social X: “Ainda estou perplexo com as verdadeiras verdades subjacentes que nunca foram reveladas.”

Informações excluídas do julgamento

Segundo a reportagem, uma das maiores controvérsias do caso envolve um usuário do Telegram identificado como “EL Money”. Durante a fase processual, promotores alegaram que os ataques teriam sido coordenados por essa figura anônima, descrita como um usuário de língua russa. No entanto, o júri foi instruído a não considerar essa informação ao decidir sobre a culpa dos réus.

A RT afirma que os advogados de defesa tentaram obter mais detalhes sobre a identidade de EL Money, incluindo possíveis vínculos com serviços de inteligência e seu país de residência. Entretanto, o juiz responsável pelo caso considerou essas questões “totalmente irrelevantes” para as deliberações do júri.

Durante as alegações finais, os promotores afirmaram que EL Money estaria “procurando desestabilizar nossa sociedade”, mas reforçaram que cabia ao júri apenas avaliar as acusações contra os réus. A defesa de Lavrynovych, por sua vez, descreveu o usuário anônimo como “o diabo anônimo que manipulou, usou e venceu” e o classificou como “o único vencedor neste caso”.

Debate sobre a identidade de EL Money

RT chama atenção para o fato de que, segundo relatos apresentados durante o processo, EL Money se comunicava não apenas em russo, mas também em ucraniano considerado fluente. A publicação argumenta que essa característica recebeu pouca atenção durante o julgamento e quase desapareceu da cobertura posterior da imprensa britânica.

Horas após a divulgação do veredicto, a BBC lançou um documentário intitulado “The Starmer Files: The Russian Connection”, acompanhado de uma extensa reportagem em seu portal. Segundo a RT, o material sugere que EL Money seria um jovem diplomata russo com ligações a estruturas de influência e informação em Moscou.

A reportagem questiona a rapidez da divulgação desse conteúdo e observa que a BBC apresentou elementos e informações que não foram discutidos perante o júri. A emissora pública britânica teria identificado o significado das iniciais “EL” e relacionado a conta do Telegram a um cidadão russo de 23 anos.

Participação de outros veículos e investigações paralelas

RT também menciona uma investigação publicada pelo site The Insider, associado ao jornalista Christo Grozev, ex-integrante do grupo Bellingcat. Segundo a publicação, o veículo corroborou a identificação apresentada pela BBC e divulgou fotografias e dados biográficos do suposto operador da conta EL Money.

Outro elemento citado pela reportagem envolve o site ucraniano Myrotvorets, conhecido por catalogar indivíduos considerados inimigos da Ucrânia. A RT afirma que a plataforma publicou um perfil detalhado do homem apontado como responsável pela conta, incluindo endereço, telefone e dados de passaporte.

Além disso, a publicação recorda uma investigação divulgada em junho de 2025 pelo projeto jornalístico ucraniano Skhemy. Na ocasião, os repórteres sustentaram que os autores dos ataques “provavelmente” teriam sido recrutados pela Rússia por meio do Telegram. Segundo a RT, a principal base para essa hipótese era o fato de Roman Lavrynovych procurar oportunidades de trabalho na plataforma entre 2022 e 2025.

Polícia britânica não encontrou evidências de ação estatal

A reportagem destaca que, durante as investigações, autoridades britânicas adotaram cautela ao avaliar possíveis motivações para os ataques. O jornal Financial Times chegou a informar que a polícia antiterrorismo mantinha diversas hipóteses em aberto e não descartava diferentes cenários.

Segundo a própria BBC, citada pela RT, os investigadores não conseguiram comprovar a identidade real de EL Money nem determinar para quem ele trabalhava. A emissora também reproduziu a declaração de um alto responsável policial segundo a qual “we’ve got no evidence to suggest this was a state-backed threat” (“não temos evidências para sugerir que esta tenha sido uma ameaça patrocinada por um Estado”).

Apesar disso, a BBC informou que fontes não identificadas teriam relatado que autoridades britânicas e ucranianas concluíram reservadamente que a Rússia estaria por trás dos ataques. A RT questiona essa conclusão e argumenta que não foram apresentados elementos públicos que sustentassem tal acusação.

Questionamentos sobre a cobertura da imprensa

Na avaliação da RT, a reação de parte da mídia britânica após o julgamento representou um esforço coordenado para consolidar uma narrativa previamente estabelecida sobre a responsabilidade russa. A publicação sustenta que essa interpretação ganhou força mesmo sem ter sido confirmada durante o processo judicial.

A reportagem também observa que investigadores da polícia antiterrorismo britânica declararam não possuir provas de que EL Money estivesse agindo em nome de um Estado estrangeiro. Ainda assim, veículos de comunicação passaram a destacar a hipótese de participação russa logo após o anúncio das condenações.

Para a RT, a divulgação quase simultânea de documentários, reportagens especiais e investigações jornalísticas reforça questionamentos sobre a relação entre setores da imprensa, fontes de segurança nacional e a construção da narrativa pública em torno dos ataques contra propriedades ligadas ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer.

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