Padre de Ceilândia contesta excomunhão e afirma que continuará celebrando missas

Ceilândia em Alerta – Em entrevista publicada pelo g1 Distrito Federal, o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa afirmou que não reconhece a excomunhão confirmada pela Arquidiocese de Brasília e garantiu que continuará exercendo normalmente o ministério sacerdotal na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia. O religioso disse que seguirá celebrando missas, casamentos, batizados e atendendo confissões, apesar da orientação da Arquidiocese para que os fiéis não frequentem o local.

A excomunhão foi aplicada em razão da ligação da capela com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista que entrou em conflito com o Vaticano após ordenar bispos sem autorização papal e rejeitar parte das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II. Para a Arquidiocese de Brasília, as celebrações e demais atividades promovidas na capela são consideradas irregulares e representam risco de aproximação dos fiéis com o cisma reconhecido pela Igreja.

O padre, no entanto, sustenta que a punição não possui fundamento jurídico dentro do Direito Canônico. Segundo ele, a excomunhão é destinada àqueles que rompem a comunhão da Igreja em questões de fé e dos sacramentos, situação que, na avaliação dele, não se aplica à Fraternidade São Pio X.

Françoá também rejeitou a classificação de “ultraconservador” atribuída ao grupo. Em sua avaliação, os integrantes da fraternidade apenas preservam a tradição da Igreja Católica e permanecem fiéis à doutrina e aos sacramentos. O sacerdote afirmou ainda que continuará defendendo aquilo que considera a verdadeira tradição católica, independentemente das sanções impostas.

Fundada há pouco mais de um ano no Setor O, em Ceilândia, a Capela Santo Atanásio funciona de forma independente da estrutura da Arquidiocese de Brasília. Segundo o padre, essa autonomia já existia antes mesmo da confirmação da excomunhão e decorre da relação histórica da fraternidade com a Igreja.

As celebrações na capela seguem o rito tradicional, conhecido como missa tridentina. As cerimônias são realizadas em latim, com o sacerdote voltado para o altar durante a liturgia, conforme o modelo utilizado antes das reformas do Concílio Vaticano II. Apesar disso, as homilias são feitas em português para facilitar a compreensão dos fiéis.

Durante a entrevista ao g1 DF, Françoá afirmou que a comunidade apenas mantém práticas que, segundo ele, sempre fizeram parte da tradição da Igreja Católica. O sacerdote defendeu o uso do latim por considerar que a língua preserva com maior fidelidade os conceitos da fé católica ao longo do tempo.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X defende, entre outros pontos, a celebração da missa em latim, o retorno do padre voltado para o altar durante a liturgia, além de críticas a parte das mudanças promovidas pela Igreja Católica nas últimas décadas. Conforme informações divulgadas pela própria fraternidade, a organização reúne atualmente cerca de 720 sacerdotes e aproximadamente meio milhão de fiéis em diferentes países.

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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