Ceilândia em Alerta — A equipe jurídica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para denunciar supostas irregularidades nas plataformas da Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. Segundo a representação, sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de tradução estariam favorecendo conteúdos relacionados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.
A campanha alega que as ocorrências comprometem a igualdade de condições entre os candidatos e pede providências da Justiça Eleitoral. As acusações ainda precisam ser avaliadas pelo tribunal e não devem ser tratadas como irregularidades comprovadas. O caso se insere no debate sobre a influência das redes sociais nas eleições e a fiscalização da propaganda política na internet.
O tema também se relaciona às discussões sobre a atuação das plataformas digitais durante a campanha eleitoral e às medidas adotadas para combater a desinformação no país.
Campanha aponta recomendações algorítmicas em favor de Flávio
De acordo com a representação apresentada ao TSE, o canal oficial de Flávio Bolsonaro no WhatsApp e o perfil do senador no Instagram continuariam sendo recomendados pelas plataformas aos usuários, apesar de determinações judiciais que, segundo a campanha de Lula, restringiriam esse tipo de recomendação.
A coligação também questiona o crescimento considerado atípico do perfil do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Segundo os advogados, os canais de transmissão e perfis ligados aos dois políticos estariam alcançando resultados superiores aos de personalidades internacionais com grandes audiências, como Beyoncé, Kim Kardashian e Neymar.
A discussão ocorre em meio a outros questionamentos sobre o tratamento dado pelas plataformas às campanhas presidenciais. Em outubro, o TSE já havia cobrado explicações da empresa sobre o tratamento igualitário às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Inteligência artificial teria apresentado respostas diferentes para os candidatos
Outro ponto da denúncia envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp. Segundo os testes citados na representação, o sistema teria gerado imagens de personagens conhecidos, como os da Turma da Mônica, associados a peças com o número 22, utilizado na campanha de Flávio Bolsonaro.
Ainda conforme a acusação, a ferramenta teria recusado pedidos para criar imagens com o número 13, relacionado à candidatura de Lula, sob a justificativa de que não poderia produzir material associado a candidatos reais. Ao ser questionada sobre a diferença de tratamento, a própria inteligência artificial teria reconhecido que a restrição deveria valer para ambos.
Os advogados da campanha petista argumentam que os episódios indicariam uma possível desigualdade no funcionamento dos recursos tecnológicos. A alegação, entretanto, depende da análise dos registros apresentados e de esclarecimentos da empresa.
O uso de inteligência artificial nas eleições é acompanhado pela Justiça Eleitoral, que estabeleceu regras para conteúdos sintéticos e materiais políticos produzidos ou alterados por essas ferramentas. O TaguaCei já abordou o tema ao explicar as regras do TSE para o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026.
Tradução automática também é questionada
A representação menciona possíveis falhas no sistema de tradução automática do Instagram. Segundo a campanha, comentários críticos a Flávio Bolsonaro, como “Flávio futuro presidiário” e “Nosso futuro presidiário”, teriam sido traduzidos para o inglês como “Flávio future president” e “Our future president”.
Se confirmadas, alterações dessa natureza poderiam modificar o sentido das publicações e comprometer a interpretação das mensagens por usuários que dependem da tradução automática.
A defesa de Lula sustenta que os episódios seriam recorrentes e questiona a justificativa anterior da Meta de que os problemas decorreriam de falhas operacionais pontuais. A empresa, por sua vez, deverá ter oportunidade de apresentar esclarecimentos no processo.
Pesquisa aponta diferenças nos resultados de busca
O material anexado à ação inclui testes atribuídos às organizações Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. Segundo a reportagem original, ao pesquisar o termo “brasil” na ferramenta de imagens animadas do WhatsApp, os pesquisadores encontraram uma peça relacionada à campanha de Flávio Bolsonaro, com o número 22, na primeira posição dos resultados.
Já a busca pelo termo “ladrão” teria apresentado imagens depreciativas de Lula, incluindo representações do presidente com roupas de presidiário.
Para a campanha petista, os resultados levantam dúvidas sobre os critérios utilizados pelos sistemas de busca e recomendação das plataformas. A presença de conteúdos específicos nos resultados, isoladamente, não comprova manipulação intencional; é necessário analisar o funcionamento dos algoritmos, os critérios de classificação e a eventual existência de tratamento desigual.
O caso amplia o debate sobre transparência das plataformas digitais, responsabilidade das empresas de tecnologia e igualdade de condições entre candidatos. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar as provas apresentadas e decidir se houve descumprimento de determinações judiciais ou violação das regras eleitorais.
Fonte: Brasil 247 — Entenda a acusação de ‘manipulação algorítmica’ movida pela campanha de Lula contra a Meta no TSE



