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Flávio Bolsonaro votou contra três propostas de proteção às mulheres na Assembleia do Rio

Flávio Bolsonaro, vestindo camiseta amarela da seleção brasileira com adesivos de campanha eleitoral, fala ao microfone e aponta o dedo indicador para cima durante ato político ao ar livre. Ao seu lado, outro homem também usa camiseta amarela com adesivos de campanha.
Levantamento de registros legislativos da Assembleia do Rio de Janeiro identifica três ocasiões em que Flávio Bolsonaro votou contra propostas relacionadas à proteção das mulheres. Os episódios envolveram licença-maternidade, combate ao turismo sexual e medidas de prevenção da violência doméstica. Foto: Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação.

Registros legislativos revelam votos contrários à ampliação da licença-maternidade, ao combate ao turismo sexual e à restrição de armas para policiais envolvidos em violência doméstica.

Ceilândia em Alerta – O histórico de votações do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) voltou ao centro do debate eleitoral após a divulgação de um levantamento sobre sua atuação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A pesquisa identificou três episódios em que o parlamentar se posicionou contra propostas relacionadas à proteção das mulheres, incluindo direitos das trabalhadoras, enfrentamento à exploração sexual e prevenção da violência doméstica.

O levantamento foi realizado pelas jornalistas Carol Pires e Marina Dias, do podcast Duas e Tanto, e divulgado na sexta-feira (16). A investigação recuperou registros de votações e declarações feitas por Flávio Bolsonaro durante sua passagem pela Alerj, onde exerceu mandato de deputado estadual entre 2003 e 2018.

A repercussão chegou ao debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o adversário sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou respeitar as mulheres e mencionou sua esposa e suas duas filhas, mas não apresentou uma explicação específica para o voto de 2009.

Os registros legislativos permitem examinar os posicionamentos do senador em três situações distintas, cada uma envolvendo medidas de proteção e direitos das mulheres.

Licença-maternidade e combate à exploração sexual

Em 2009, a Alerj analisou uma proposta para ampliar de quatro para seis meses a licença-maternidade das servidoras públicas civis do estado do Rio de Janeiro.

O projeto foi aprovado por 54 votos favoráveis e apenas um contrário, registrado por Flávio Bolsonaro.

Durante a discussão, o então deputado justificou sua posição argumentando que a ampliação do período de afastamento poderia prejudicar a contratação de mulheres pelo mercado de trabalho.

A licença-maternidade é uma medida de proteção à trabalhadora e à criança, permitindo a recuperação após o parto, o fortalecimento dos vínculos familiares e a continuidade dos cuidados nos primeiros meses de vida.

A discussão também envolve a divisão desigual das responsabilidades familiares, uma vez que as mulheres continuam assumindo grande parte do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.

Outro episódio ocorreu em 2006, durante a votação de um projeto que estabelecia multas para estabelecimentos comerciais que vendessem cartões-postais com imagens de mulheres seminuas associadas a pontos turísticos do Rio de Janeiro.

A medida complementava uma legislação estadual de 2005 destinada a combater a exploração da imagem feminina como instrumento de promoção do turismo sexual.

A proposta previa multas de 500 a 1.000 UFIR-RJ para estabelecimentos que comercializassem esse material.

O projeto foi aprovado por 37 votos a um, novamente com Flávio Bolsonaro como único parlamentar contrário.

Durante o debate, o então deputado afirmou que a beleza da mulher brasileira também poderia ser considerada um patrimônio turístico, defendendo que os comerciantes não deveriam ser responsabilizados pela venda dos cartões.

A declaração provocou críticas de parlamentares que defendiam a medida, por considerarem que a associação entre imagens sexualizadas de mulheres e pontos turísticos contribuía para a objetificação feminina.

Violência doméstica e restrição de armas para policiais

O terceiro episódio identificado pelo levantamento envolve um projeto de autoria da então deputada estadual Inês Pandeló (PT), aprovado em 2009.

A proposta estabelecia a possibilidade de suspensão da posse ou restrição do porte de arma de fogo de agentes de segurança pública estaduais envolvidos em situações de violência doméstica e familiar contra mulheres.

O texto foi elaborado com base no artigo 22 da Lei Maria da Penha, que prevê medidas protetivas de urgência, incluindo a restrição do acesso a armas de fogo em determinadas circunstâncias.

Flávio Bolsonaro manifestou oposição à proposta tanto na Comissão de Segurança Pública quanto durante sua apreciação no plenário da Alerj.

O parlamentar argumentou que a medida poderia comprometer o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência dos policiais, especialmente diante da possibilidade de denúncias ainda não comprovadas.

Apesar da oposição, o projeto foi aprovado em votação simbólica e posteriormente sancionado como Lei Estadual nº 5.402/2009.

A restrição do acesso a armas em situações de violência doméstica é considerada uma medida de prevenção destinada a reduzir os riscos enfrentados pelas vítimas.

A discussão envolve a necessidade de garantir proteção imediata às mulheres em situação de ameaça, respeitando também os procedimentos legais aplicáveis às pessoas acusadas.

Em resposta à imprensa, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o candidato mantém compromisso com o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio.

Segundo a campanha, seu programa de governo prevê penas mais rígidas para agressores, monitoramento eletrônico de pessoas submetidas a medidas protetivas e a criação de uma Central da Mulher, destinada ao acolhimento, à orientação jurídica e ao apoio psicológico.

A equipe também reiterou que o voto contrário à proposta de 2009 foi motivado pela preocupação com garantias constitucionais dos agentes de segurança, e não pela defesa da violência doméstica.

Os três episódios apresentam contextos legislativos diferentes, mas compartilham um elemento: Flávio Bolsonaro se posicionou contra medidas apresentadas como instrumentos de proteção às mulheres.

Os registros não demonstram, isoladamente, a totalidade das posições políticas do senador sobre o tema. Entretanto, permitem comparar seus votos anteriores com as propostas que apresenta atualmente como candidato à Presidência.

A análise dessas decisões também evidencia a importância de acompanhar a atuação dos representantes políticos para além de declarações feitas durante campanhas eleitorais.

Direitos como licença-maternidade, proteção contra a exploração sexual e enfrentamento à violência doméstica são resultados de processos históricos de mobilização social e de construção de políticas públicas.

A discussão sobre essas medidas envolve não apenas posicionamentos individuais, mas também o papel do Estado na garantia da segurança, da autonomia e da igualdade de direitos das mulheres brasileiras.


Fonte: Brasil de Fato

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