Milhares de pessoas foram às ruas de Nova York nesta terça-feira (20) em protestos contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciando o que classificam como uma “ameaça fascista” no país e defendendo a abertura de um processo de impeachment.
Nos últimos dias, protestos semelhantes se espalharam por centenas de cidades dos Estados Unidos, impulsionados pela atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), denúncias de autoritarismo, ataques a direitos civis e iniciativas de política externa consideradas agressivas.
As manifestações em Nova York ocorreram na data em que se completou um ano do início do segundo mandato de Trump.
Os atos desta terça-feira percorreram diferentes pontos da cidade, como o Central Park, a Quinta Avenida, a Trump Tower e a Biblioteca Pública de Nova York.
Entre os principais focos dos protestos esteve a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), alvo de críticas após a morte de Renee Nicole Good, baleada por um agente federal em Minneapolis no início de janeiro.
O episódio ampliou a rejeição às operações da agência e reforçou, entre os manifestantes, o temor de que ações semelhantes passem a se repetir em grandes centros urbanos, como Nova York.
Em frente à Trump Tower, manifestantes entoaram palavras de ordem como “Chega de ICE!” e exibiram faixas com dizeres como “Sem reis”, “A Groenlândia é dos groenlandeses” e “Renee Nicole Good não era criminosa, mas o presidente é”.

“Como um ditador, ele simplesmente faz o que quer e não parece que alguém consiga impedi-lo”, disse uma manifestante à emissora norte-americana WABC.
“O que está acontecendo no nosso país precisa parar”, afirmou a atriz Lisa, de 62 anos, moradora de Manhattan, ao New York Times, ao comentar a morte de Renee Nicole Good durante uma ação do ICE em Minneapolis.
Além da pauta migratória, os atos incorporaram críticas mais amplas ao governo Trump, incluindo denúncias de desrespeito a decisões judiciais, ataques a direitos civis e a percepção de uma escalada autoritária no exercício do poder.
Cartazes e palavras de ordem também miraram a política externa do governo, especialmente as declarações e iniciativas relacionadas à Groenlândia, vistas pelos manifestantes como expressão de uma postura imperial e hostil a aliados históricos.
Autoridades locais e lideranças políticas da cidade participaram das mobilizações, reforçando o caráter público e institucional da contestação.
Para os organizadores, os protestos refletem um acúmulo de insatisfação ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Trump e buscam pressionar o Congresso a avançar com a abertura de um processo de impeachment.
Do lado do governo, Trump respondeu às críticas exaltando os resultados de sua gestão. Em pronunciamentos e publicações nas redes sociais, o presidente destacou o endurecimento das políticas migratórias e o desempenho do mercado financeiro como conquistas do período, enquanto manteve a defesa das ações do ICE e rejeitou as acusações feitas pelos manifestantes.
As mobilizações desta terça-feira, no entanto, indicam que a contestação ao governo permanece ativa e articulada.
Grupos envolvidos nos protestos afirmam que novos atos estão previstos para as próximas semanas, mantendo no centro do debate público a política migratória, os limites da atuação federal e o futuro institucional dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump.
Originalmente publicado em vermelho.org.br
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