“Genocídio branco”: entenda a teoria neonazista defendida por Trump e Musk

Nesta quarta-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar da fake news sobre um suposto genocídio de pessoas brancas na África do Sul, mas desta vez em um encontro com Cyril Ramaphosa, presidente do país, criando um constrangimento dentro da Casa Branca.
A reunião ocorre dias após os EUA concederem status de refugiado a 59 membros da comunidade afrikaner sul-africana, que chegaram ao país em 12 de maio.
A narrativa sobre o suposto “genocídio branco” surgiu como uma teoria da conspiração de origem neonazista após o fim do apartheid, mas que ganhou força nos últimos meses sob políticas do governo Ramaphosa e por meio de vozes como Trump.
O republicano justificou o acolhimento dos afrikaners alegando perseguição aos brancos na África do Sul, acusação veementemente negada pelo governo de Ramaphosa. “É completamente falso afirmar que pessoas de uma determinada raça ou cultura estão sendo alvo de perseguição”, declarou o presidente sul-africano.
Os afrikaners, descendentes de colonos europeus que representam cerca de 4% da população sul-africana, foram responsáveis pela implementação do regime de apartheid no país em 1948. Com o fim do sistema segregacionista em 1994, perderam privilégios políticos e econômicos.
O governo de Ramaphosa implementa políticas de reforma agrária para corrigir desigualdades históricas, mas nega qualquer confisco de terras e crimes mais graves como assassinatos.
A controvérsia ganhou novos contornos com a participação do também afrikaner Elon Musk, o homem mais rico do mundo, herdeiro de uma mina de diamantes na África do Sul e membro do governo Trump nos EUA.

O bilionário acusou seu país natal de ter “leis racistas de propriedade” e afirmou que sua empresa Starlink foi impedida de operar no país “simplesmente porque não sou negro”. A autoridade reguladora sul-africana, porém, informou que a Starlink nunca solicitou licença para operar.
A polêmica foi amplificada por erros da inteligência artificial Grok, desenvolvida ela plataforma X, antigo Twitter, de Musk. Na semana passada, o chatbot disseminou alegações falsas sobre “genocídio branco” e chegou a questionar o número de vítimas do Holocausto. A empresa atribuiu os erros a “falhas técnicas”.
Não há “genocídio branco” ou algo que justifique a teoria
Dados oficiais refutam as alegações de Trump. Entre outubro e dezembro de 2024, apenas 12 dos 6.953 assassinatos no país ocorreram em fazendas, sendo apenas uma vítima identificada como um proprietário branco. Um juiz sul-africano recentemente classificou as alegações de suposto genocídio como “claramente imaginárias”.
O confronto diplomático ameaça as relações bilaterais e a participação de Trump na cúpula do G20 marcada para ocorrer na África do Sul este ano. “Não sei como poderemos ir, a menos que essa situação seja resolvida”, declarou o presidente estadunidense em entrevista recente.
Enquanto isso, a reforma agrária sul-africana continua sendo um ponto de discórdia interno, com o principal partido de oposição prometendo contestar a nova lei na justiça. Ramaphosa defende a medida como necessária para reparar injustiças históricas: “Eles estão indo embora porque não querem aceitar as mudanças que estão ocorrendo no nosso país”.

Com informações do Diário do Centro do Mundo
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