Relator André Mendonça votou por manter a prisão preventiva de Felipe Vorcaro; investigado é apontado como operador de esquema bilionário que envolve o Banco Master
O julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master —, foi suspenso nesta sexta-feira (22/5) por um pedido de vista do ministro e presidente do colegiado, Gilmar Mendes.
A interrupção ocorreu logo após o voto do relator, ministro André Mendonça, que se manifestou pela manutenção da prisão, deixando o placar em 1 a 0. Com o pedido de vista, o julgamento na turma pode ficar paralisado por até 90 dias.
Mendonça converteu a prisão temporária de Felipe em preventiva com base em relatórios da Polícia Federal (PF) que indicam “periculum libertatis” — perigo gerado pelo estado de liberdade do acusado. Ele justificou a necessidade da custódia para garantir a ordem pública e evitar a reiteração delitiva, afirmando que o investigado manteve operações suspeitas mesmo após se tornar alvo da operação.
O ministro destacou pontos críticos que reforçam o risco de liberdade: risco de fuga — Felipe teria fugido de um mandado de busca em janeiro de 2026, em Trancoso (Bahia), saindo de um condomínio de luxo em um carrinho de golfe poucos minutos antes da chegada dos agentes — e protagonismo criminoso. Segundo o voto, o primo de Vorcaro assumiu o controle da organização após a prisão de Daniel, demonstrando alta capacidade de reorganização.
A Segunda Turma, composta por Mendes, Mendonça, além de Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux, deve retomar o caso após a devolução da vista. Toffoli se declarou suspeito e não participa de decisões relacionadas ao Master. O presidente do colegiado, Gilmar Mendes, também pediu vista em outro processo correlato: a prisão de Henrique Vorcaro, pai do Daniel.
Operações sob suspeita
As investigações detalham movimentações bilionárias e transações com indícios de irregularidades operadas por Felipe, apontado como o “cérebro operacional” do esquema. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que ele foi beneficiário central de fluxos que totalizam aproximadamente R$ 18,4 bilhões entre 2019 e 2026.
Em abril deste ano, ele teria participado da criação da empresa Infrasolar Holding Ltda., que, com capital social de apenas R$ 1 mil, realizou uma operação de mais de R$ 132 milhões poucos dias após ser constituída.
A PF investiga uma transação envolvendo a família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Felipe teria operado a venda de 30% da empresa Green Investiments (avaliada em R$ 13 milhões) por apenas R$ 1 milhão. Além disso, teria operacionalizado repasses mensais ao político que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
Mensagens interceptadas revelam ainda o uso de termos como “descer capital” e “descarimbar” para ocultar a origem ilícita de valores por meio de estruturas societárias complexas.
Felipe Vorcaro foi preso em 7 de maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. Ele é sócio de 14 empresas e filho de Oscar Vorcaro, diretor da BRGD S.A., apontada como origem primária de recursos ilícitos.
Com informações do Correio Braziliense
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