Passageiros enfrentaram caos durante 5h de greve dos ônibus Marechal

Usuários de regiões como Ceilândia e Taguatinga tiveram que improvisar rotas, recorrer a metrô superlotados ou arcar com transporte de app

Ana Clara de LimaLuis Fellype Rodrigues

As paradas de ônibus do Distrito Federal amanheceram muito mais cheias do que o normal nesta segunda-feira (22/6). O motivo foi uma paralisação surpresa dos rodoviários da empresa Marechal, motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. Foram cinco horas de greve que afetaram a rotina de quem precisa do transporte público.

Sem qualquer aviso prévio, milhares de passageiros que dependem das linhas da concessionária, que atua em regiões como Guará, Águas Claras, Park Way, Taguatinga e Ceilândia, enfrentaram uma manhã de caos e frustração. Com a frota retida nos terminais, os usuários precisaram improvisar rotas, recorrer ao metrô superlotado ou arcar com custos altos de transporte por aplicativo para não perderem o dia de serviço.

Para quem acorda de madrugada, a falta de comunicação transformou a rotina em um cenário de estresse e vulnerabilidade.

A assistente administrativa Márcia Cristina de Azevedo sentiu na pele o peso do apagão de informações. Ela utiliza diariamente a linha 306.5 para ir à Esplanada dos Ministérios.

“Sair de casa às 5h30 na expectativa de pegar o transporte e chegar no horário transforma-se na frustração de, após 25 minutos na parada, ainda no escuro e sem qualquer informação, ter que se virar para ir até o metrô”, desabafa Márcia.

Ela relata que a falta de circulação dos micro-ônibus e circulares da Marechal travou a mobilidade local. “Para quem não tem carro, é uma maratona. Parece simples por estarmos perto do Pistão Sul ou da EPNB, que têm muito transporte, mas para quem está a pé chegar até esses corredores é uma odisseia.”

Sem qualquer aviso prévio, milhares de passageiros que dependem das linhas da concessionária, que atua em regiões como Guará, Águas Claras, Park Way, Taguatinga e Ceilândia, enfrentaram uma manhã de caos e frustração

Para não faltar ao serviço, Márcia desembolsou R$ 16 em um carro por aplicativo para percorrer um trajeto de apenas seis minutos até a estação de metrô mais próxima. De lá, seguiu até a Rodoviária do Plano Piloto e pegou um circular integrado para a Esplanada.

“Você chega atrasada e ainda fica com aquela sensação de que é a errada por não cumprir o horário à risca. A gente se sente muito inferiorizada. Seria menos penoso se tivessem avisado antes”, lamenta.

Nas regiões periféricas, o impacto foi ainda mais severo, obrigando os usuários a realizarem longos deslocamentos a pé na tentativa de encontrar alguma alternativa nos terminais centrais.

Paloma Cristina de Oliveira sentiu o reflexo logo no início do dia. “Moro na Vila Madureira, no Sol Nascente. Lá só temos duas linhas. Como não tinha ônibus, tivemos que vir andando por uns 15 minutos até o terminal para tentar pegar outra condução. Atrapalha tudo, a demanda acumula e você tem que fazer tudo correndo depois. O chefe vai ter que entender esse atraso, porque há coisas que fogem do nosso alcance”, relatou.

A realidade foi compartilhada por Maria Aparecida Alves, de 55 anos, que também ficou sem opções de locomoção perto de casa. “Perdi meu horário e vou chegar atrasada no trabalho. Acho que vou me atrasar de 40 minutos a uma hora”, calculou a passageira enquanto aguardava na plataforma do terminal, após caminhar da sua quadra até o local.

Apesar da manhã turbulenta, os rodoviários da Marechal anunciaram o fim da paralisação, e os ônibus da empresa começaram a retomar a circulação de forma gradual. A decisão pelo encerramento do movimento foi tomada durante uma assembleia realizada na garagem da empresa, no P Sul, em Ceilândia (DF), após a confirmação do depósito dos salários pela concessionária.

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