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80 mil mortes: Bolsonaro deu bilhões a banqueiros e gastou apenas 29% da verba para combater a COVID

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Segundo auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) o Ministério da Saúde gastou menos de um terço das verbas que deveriam ser destinadas para o combate a Covid-19 no país. Até 25 de junho, dos 38,9 bilhões destinados em março pela via de ação orçamentária, apenas 11,4 bilhões tinham sido investidos no combate à pandemia.

Das verbas do orçamento do Ministério da Saúde, comandada pelo general interino Eduardo Pazuello, foram investidos apenas 11,4% do previsto, uma comprovação cabal do descaso desse governo de Bolsonaro e Mourão, que além de negarem os impactos mais devastadores da pandemia na vida de milhares de trabalhadores e de toda população, especialmente os negros, deixam de investir até mesmo os já escassos recursos que deveriam ser destinados para o fortalecimento do sistema de saúde. Dos recursos destinados aos estados e municípios, foram investidos apenas 39% e 36% respectivamente. Enquanto isso, o general e ministro Luiz Eduardo Ramos avisou que o governo Federal irá liberar 1 bilhão de reais aos deputados que votarem a favor dos projetos de Bolsonaro que visam atacar mais ainda os direitos trabalhistas e de toda população, sem contar as isenções bilionárias destinadas as grandes empresas capitalistas, mostrando quais são as verdadeiras prioridades desse governo.

Esses dados mostram que apesar das disputas e diferenças táticas que existem, tanto o governo negacionista de Bolsonaro e Mourão baseado nos militares, como os governadores e prefeitos, apoiados no STF e na grande mídia apesar de posarem como defensores da ciência, preocupados com a saúde, não garantiram nem o mais elementar que é a implementação de todos os recursos já insuficientes, para poder garantir o mínimo na luta por salvar as vidas, com testagem massiva e garantia de leitos. Se por um lado Bolsonaro diz “E daí?” diante das mortes que já chegam a quase 100 mil, sem levar em conta a enorme subnotificação dos casos, por outro governadores, prefeitos e STF dizem somente “fique em casa” para milhões de trabalhadores que são obrigados a sair de casa todos os dias, por seus patrões ou pela necessidade de buscar alguma fonte de renda. Enquanto isso, a classe trabalhadora, especialmente os setores mais precarizados e pobres, com maioria de negros, está espremida entre duas ameaças brutais: de um lado a pandemia, de outro o desemprego, a miséria e a fome.

Como disse a professora Maíra Machado: “ É preciso garantir imediatamente a implementação de todos os recursos destinados à saúde, e que eles sejam investidos na saúde pública, na centralização de todo sistema de saúde sob controle dos trabalhadores. A diferença do estágio da pandemia nos diferentes estados e cidades exige medidas para cada situação, mas em todos os casos é uma necessidade de primeira ordem garantir a testagem massiva, para garantir a identificação e isolamento das pessoas contaminadas. As reaberturas sem testes massivos, mesmo onde os casos estão diminuindo, são feitas contando com mais mortes desnecessárias. E nos estados em que os números estão subindo essa medida é fundamental para permitir o controle da pandemia, o isolamento planejado e mais efetivo, evitar o colapso dos sistemas de saúde e o desenvolvimento de todas as consequências sofridas pela classe trabalhadora dos estados que já foram atingidos mais duramente.”

Ainda sobre qual deveria ser o programa emergencial para responder essa situação Maíra declarou: “É preciso garantir imediatamente a contratação emergencial e massiva para a saúde, os transportes públicos, a educação, e todos os serviços públicos que vinham sendo precarizados e que para funcionar com segurança nessa situação precisam de um grande aumento de quadro de trabalhadores, como a contratação de milhares de agentes de saúde em todo o país, para garantir atendimento especialmente nos bairros mais pobres. É preciso reduzir a jornada de trabalho, para dividir o trabalho disponível entre todos os trabalhadores mantendo os salários, e proibir as demissões, assim como as empresas que correm o risco de quebrar devem ser estatizadas sob controle dos trabalhadores. A pandemia deixou evidente que é a classe trabalhadora que é essencial. E somente nossa classe, de forma independente, pode dar uma saída para essa situação, fazendo com que sejam os capitalistas que paguem por essa crise. ”

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