Governo intensifica acenos políticos ao presidente do Senado antes de confirmar nome que contraria sua preferência por Rodrigo Pacheco
O governo do presidente Lula (PT) tem atuado em diversas frentes para amenizar a insatisfação do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) diante da provável escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Alcolumbre, que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e será responsável por conduzir a sabatina do indicado, defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Para tentar equilibrar o cenário político, o Palácio do Planalto tem contemplado o parlamentar com medidas de interesse direto em seu estado e em sua base política.
Ações para agradar o senador
Entre os gestos do governo, está a indicação de aliados de Alcolumbre para cargos estratégicos nos Correios e a inclusão de um dispositivo na lei do licenciamento ambiental que facilita a aprovação de projetos considerados prioritários. Em 15 de outubro, após forte pressão do senador, o governo publicou um decreto que regulamenta a câmara de decisões da Licença Ambiental Especial (LAE), criando um processo simplificado para liberar empreendimentos classificados como estratégicos.
Outra vitória de Alcolumbre veio com a autorização do Ibama para a Petrobras perfurar o primeiro poço em águas profundas na bacia da Margem Equatorial, a 175 quilômetros da costa do Amapá, seu reduto eleitoral. O presidente do Senado agradeceu ao governo Lula e às lideranças locais pela decisão.
“A autorização do Ibama reafirma que é possível conciliar crescimento econômico e preservação ambiental, garantindo que os benefícios dessa atividade cheguem às populações locais e fortaleçam a soberania energética nacional”, declarou Alcolumbre.
Alcolumbre mantém papel estratégico
Além de sua influência política, Alcolumbre tem sido um aliado importante nas articulações do governo para resolver impasses orçamentários de 2026, após a Câmara dos Deputados ter rejeitado a medida provisória que aumentava impostos. Ele tem dialogado com o Ministério da Fazenda em busca de alternativas e manifestado disposição em ajudar o governo nas próximas votações.
Ao mesmo tempo, o senador tem evitado pautas extremistas, como a anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023, tema que segue mobilizando a base bolsonarista na Câmara.
Relação política sob teste
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse acreditar que a boa relação entre o governo e Alcolumbre será preservada mesmo se Lula confirmar Jorge Messias para o STF.
“Não acho que ele vá segurar o trâmite ou coisa desse tipo”, afirmou Wagner, lembrando que a escolha de ministros do Supremo é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República.
O nome escolhido ainda precisará passar pela sabatina na CCJ e receber o apoio da maioria absoluta dos senadores no plenário. Lula e Alcolumbre se reuniram na noite de segunda-feira (20) para discutir o tema. Segundo Wagner, o senador reforçou a defesa de Pacheco, enquanto Lula teria sinalizado convicção por Messias.
“Mas não quero me precipitar”, ponderou o petista.
O presidente também teria lembrado a Pacheco que ele é visto como o melhor nome para disputar o Governo de Minas Gerais em 2026, o que tornaria inviável sua ida ao Supremo.
Anúncio após viagem à Ásia
A expectativa é de que o anúncio oficial sobre a escolha de Lula ocorra após sua viagem à Ásia, iniciada nesta terça-feira (21). O presidente preferiu adiar a decisão para evitar que o tema dominasse o noticiário durante sua ausência e para ter tempo de conversar pessoalmente com aliados, incluindo o próprio Pacheco.
Com informações do brasil247
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