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Campanha Vote Segura apresenta 11 propostas para combater a violência contra mulheres no Brasil

Mulher de cabelos pretos ergue um cartaz branco com a frase “Parem de nos matar”, escrita em letras vermelhas, durante manifestação pública. O cartaz apresenta marcas de mãos e respingos de tinta vermelha, enquanto manifestantes aparecem ao redor.
Campanha Vote Segura, lançada pela Rede Justiça Criminal, apresenta 11 recomendações para fortalecer políticas públicas de prevenção à violência contra as mulheres e orientar a atuação dos parlamentares eleitos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Iniciativa da Rede Justiça Criminal orienta parlamentares a priorizar prevenção, políticas públicas permanentes e ações baseadas em evidências. País registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025.

Ceilândia em Alerta – A Rede Justiça Criminal lançou a campanha Vote Segura, iniciativa que apresenta recomendações para fortalecer as políticas públicas de segurança destinadas às mulheres brasileiras. O projeto busca ampliar o debate sobre a violência de gênero e orientar a atuação dos parlamentares eleitos em 2026, com propostas que vão além do aumento de penas e do policiamento.

A campanha foi apresentada em um cenário preocupante. Segundo dados de registros oficiais, o Brasil contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o equivalente a pelo menos quatro mulheres assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero.

Para cada feminicídio consumado, outros três foram tentados, revelando a dimensão da violência enfrentada pelas mulheres no país.

Diante desses números, a Rede Justiça Criminal defende que o enfrentamento da violência precisa combinar responsabilização dos agressores, prevenção, proteção às vítimas e fortalecimento das instituições públicas.

A organização elaborou um guia com 11 recomendações que podem orientar programas de mandato, projetos de lei, atividades de fiscalização e articulação política no Congresso Nacional.

A proposta é oferecer referências para a formulação de políticas de segurança que produzam resultados concretos e possam ser acompanhadas pela sociedade.

Prevenção deve fazer parte das políticas de segurança para mulheres

Um dos principais argumentos da campanha é que o enfrentamento da violência contra as mulheres não pode depender exclusivamente da atuação policial depois que uma agressão já aconteceu.

Para a coordenadora executiva da Rede Justiça Criminal, Janine Salles de Carvalho, o medo da violência interfere diretamente na rotina das brasileiras.

Muitas mulheres modificam seus trajetos, evitam determinados lugares, compartilham sua localização com familiares e amigos ou deixam de realizar atividades por receio de sofrer agressões.

Essa realidade demonstra que a insegurança não se limita às estatísticas criminais. Ela também restringe a liberdade de circulação, o acesso aos espaços públicos e a participação das mulheres na vida social.

Janine observa que o medo pode ser explorado politicamente durante campanhas eleitorais, mas ressalta que respostas efetivas exigem medidas capazes de impedir a violência antes que ela aconteça.

A campanha defende, portanto, uma atuação articulada entre diferentes áreas do poder público, incluindo segurança, saúde, assistência social e políticas de direitos humanos.

A proposta também destaca a importância de garantir continuidade às ações governamentais, evitando que programas de proteção sejam interrompidos a cada mudança de gestão.

As 11 recomendações da campanha Vote Segura

O guia elaborado pela Rede Justiça Criminal reúne orientações destinadas aos futuros parlamentares:

  1. Priorizar a prevenção, sem abandonar a responsabilização dos autores de violência.
  2. Estruturar políticas públicas permanentes, capazes de garantir continuidade às ações de proteção.
  3. Fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios, evitando iniciativas isoladas.
  4. Integrar diferentes políticas públicas, reconhecendo que a violência contra as mulheres exige respostas de várias áreas.
  5. Utilizar dados e evidências confiáveis para orientar decisões e investimentos.
  6. Criar mecanismos permanentes de monitoramento e avaliação das medidas adotadas.
  7. Fortalecer a transparência e o controle social, permitindo que a população acompanhe os resultados.
  8. Estabelecer critérios objetivos para a distribuição de recursos públicos, garantindo maior clareza na aplicação do orçamento.
  9. Adotar uma perspectiva de direitos humanos, considerando as necessidades e os direitos das mulheres.
  10. Buscar resultados mensuráveis, capazes de demonstrar os efeitos das políticas implementadas.
  11. Evitar medidas meramente simbólicas, que produzam repercussão política sem resultados concretos na proteção das mulheres.

As recomendações procuram orientar a elaboração de leis e a fiscalização das políticas públicas, além de estimular o debate sobre a efetividade das iniciativas de segurança.

Combate ao feminicídio exige ações contínuas e resultados concretos

A campanha chama atenção para a necessidade de superar medidas pontuais e construir uma política de proteção capaz de acompanhar as mulheres antes, durante e depois de situações de violência.

Isso inclui o funcionamento adequado dos serviços de atendimento, o acesso às medidas protetivas e a articulação entre órgãos responsáveis pela segurança e pela garantia de direitos.

Também envolve o acompanhamento dos resultados das políticas públicas, para identificar quais iniciativas conseguem reduzir a violência e quais precisam ser modificadas.

O guia destaca que a aplicação de recursos públicos deve seguir critérios transparentes, permitindo avaliar se os investimentos chegam aos territórios e às populações que mais necessitam de proteção.

Outro aspecto importante é a participação da sociedade no acompanhamento das ações governamentais.

A Rede Justiça Criminal considera que a fiscalização e a transparência são instrumentos necessários para evitar que políticas de segurança sejam reduzidas a anúncios ou propostas sem continuidade.

As mulheres representam 51,5% da população brasileira, estimada em 213,4 milhões de habitantes, segundo os dados citados pela campanha.

Apesar de constituírem a maioria da população, continuam enfrentando diferentes formas de violência que comprometem sua segurança, autonomia e liberdade.

Nesse contexto, o enfrentamento ao feminicídio exige não apenas a punição dos responsáveis, mas também políticas que reduzam os riscos e ampliem as condições de proteção.

A iniciativa Vote Segura pretende contribuir para que o tema seja tratado de maneira permanente pelo Congresso Nacional, independentemente das disputas eleitorais.

O lançamento da campanha reforça a importância de avaliar propostas de segurança pública não apenas pelo discurso apresentado, mas também por sua capacidade de prevenir agressões, proteger vítimas e produzir resultados verificáveis.

A redução da violência contra as mulheres depende de planejamento, financiamento, integração institucional e compromisso contínuo com os direitos humanos.


Fonte: Agência Brasil

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