Em sua trajetória pela política institucional, a atual vereadora Jô Cavalcanti (Psol) possui algumas primeiras vezes em sua bagagem. Em 2018, liderou o primeiro mandato coletivo eleito para a Assembléia Legislativa de Pernambuco, com as Juntas. No pleito de 2024, se tornou a primeira representante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) na Câmara Municipal do Recife. Para o ano eleitoral que só aproxima, vem mais um desafio de possível pioneirismo: se tornar a primeira mulher negra senadora de Pernambuco.
Jô destaca o papel estratégico que a eleição para o Poder Legislativo Federal deste ano deve ter para o futuro do país, diante de preocupantes avanços conservadores na Câmara e no Senado. “É importante candidaturas não só como a minha, mas de nomes como Rosa Amorim à Câmara, e mulheres de todo o Brasil à esquerda, em um momento da nossa história política que temos um Congresso tão inimigo do povo”, destaca Cavalcanti, em entrevista ao Brasil de Fato. “Nós, mulheres negras, somos retiradas dos papéis de decisão. Quando chegamos ao parlamento, acabamos também tendo nossa atuação subjugada. Por isso é tão importante fortalecermos essa movimentação nacional de mulheres na política”, complementa.
A pré-candidata ao Senado também reforça essa necessidade para um cenário de fortalecimento das políticas públicas do Poder Executivo diante de uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, encara com naturalidade a possível concorrência de votos à esquerda com o atual senador do PT em Pernambuco, Humberto Costa, que vem para disputar um novo mandato.
“É importante ressaltar que Humberto é uma escolha natural que vem sendo construída na candidatura de Lula e eu sou essa alternativa à esquerda também”, afirma Jô, sobre os caminhos que o pleito ao Senado deve percorrer no campo progressista. “Mas mostrar nossa candidatura é reforçar essa necessidade de enegrecimento da política no Senado Federal. Uma alternativa negra, que vem do movimento social, da periferia, e que sabe das dores da população, porque já sentiu essa dor nos próprios territórios”, conclui Cavalcanti.
Originalmente publicado em Brasil de Fato
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