A avaliação de integrantes do corpo diplomático brasileiro próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aponta que os Estados Unidos estão “perdidos” diante do conflito com o Irã, em um cenário de crescente tensão internacional. A leitura desses interlocutores é de que falta clareza estratégica por parte de Washington, agravando o risco de uma escalada militar mais ampla, informa Daniela Lima, do UOL.
Segundo esses diplomatas, o quadro é ainda mais preocupante devido à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vista como pressionada diante dos desdobramentos da crise. Uma das fontes ouvidas resume a preocupação ao afirmar: “uma superpotência em declínio e acuada é um animal perigoso”.
A semana começa sob forte instabilidade nos mercados globais, impulsionada pelo aumento das ameaças entre Estados Unidos e Irã em torno do controle do Estreito de Ormuz. A região, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, teve a circulação de embarcações praticamente interrompida pelas forças iranianas, elevando o temor de impactos no abastecimento energético.
Em resposta à situação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 48 horas para que o Irã restabeleça a navegação no estreito. A medida aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis em escala global, diante da possibilidade de agravamento do conflito.
O cenário também tem repercussões internas nos Estados Unidos. Pesquisa divulgada pela CBS News indica que 60% dos americanos desaprovam a ação militar contra o Irã, enquanto 68% afirmam que o presidente não explicou de forma clara os objetivos da ofensiva, ampliando o desgaste político.
Para a diplomacia brasileira, a ausência de uma estratégia definida por parte dos Estados Unidos eleva o risco de intensificação dos bombardeios contra o Irã. Nesse caso, a expectativa é de que o país responda com ataques a infraestruturas de nações vizinhas que abrigam bases americanas, o que ampliaria um conflito já considerado regional e potencialmente prolongado.
O Irã, por sua vez, apresenta capacidade significativa de mobilização militar, com cerca de 92 milhões de habitantes e aproximadamente um milhão de integrantes em suas forças armadas, entre efetivos ativos e reservistas.
Com informações do Brasil247
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