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“É muito importante para nós termos uma relação civilizada”, diz Lula em entrevista a emissora dos EUA

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Presidente brasileiro reafirma abertura para negociar tarifas e defende respeito à soberania nacional em entrevista ao PBS NewsHour

Durante entrevista ao jornal PBS NewsHour, da rede de televisão pública dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a disposição do Brasil em negociar as tarifas impostas unilateralmente pelo governo estadunidense sobre produtos brasileiros. A conversa foi conduzida pela jornalista Amna Nawaz e ocorreu em Nova York, onde Lula participa da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU).

Lula defende diálogo e relações civilizadas

O presidente ressaltou que o Brasil busca manter relações respeitosas com os Estados Unidos, independentemente das diferenças políticas.

 “Um chefe de Estado precisa ter uma relação com outro chefe de Estado, independentemente de sua posição política. Estes são dois Estados importantes, as maiores democracias da América, as maiores economias da América. Então, é muito importante para nós termos uma relação muito civilizada”, declarou Lula.

Segundo ele, uma “mesa de negociação não custa nada” e deve ser o caminho para resolver disputas comerciais.

Críticas às tarifas e menção a Trump

Lula apontou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 410 bilhões nas relações comerciais com o Brasil, o que, em sua avaliação, invalida as justificativas para a taxação de produtos brasileiros.

 “Toda vez que tentamos falar sobre comércio com alguém dos Estados Unidos, ele diz: ‘Isso não é comigo. Não, isso não é uma questão comercial. Esta é uma questão política’. Portanto, no momento em que o presidente [Donald] Trump quiser falar de política, eu também converso sobre política”, afirmou.

O presidente brasileiro frisou ainda que não aceitará ingerências externas:

 “Queremos ter relações de igualdade com todos. Mas o que não aceitamos é que ninguém, nenhum país do mundo interfira na nossa democracia e na nossa soberania.”

Plano Brasil Soberano e medidas de resposta

Como resposta ao aumento unilateral de 50% nas tarifas sobre exportações brasileiras, o governo lançou em agosto o Plano Brasil Soberano, estruturado em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial. O pacote prevê:

  •  destinação de R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito a exportadores;
  •  ampliação das linhas de financiamento;
  •  prorrogação da suspensão de tributos;
  •  aumento do percentual de restituição de tributos via Reintegra;
  •  facilitação da compra de gêneros alimentícios por órgãos públicos.

Agenda internacional em Nova York

Lula cumpre uma série de compromissos diplomáticos paralelos à abertura da AGNU, na qual o Brasil, como tradição desde 1955, será o primeiro país a discursar. Entre os encontros previstos, estão reuniões com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e outros chefes de Estado.

Nesta segunda-feira (22), ele participou da Conferência Internacional de Alto Nível para a Resolução Pacífica da Questão Palestina, organizada por França e Arábia Saudita. No encontro, reiterou sua posição:

 “Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir.”

Fundo Florestas Tropicais e ação climática

Na terça-feira (23), Lula participa da reunião sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa brasileira que propõe novo modelo de financiamento para a preservação das florestas. O lançamento oficial ocorrerá na COP30, em novembro, em Belém (PA).

No dia seguinte, o presidente dividirá a condução de um evento de alto nível sobre ação climática, ao lado do secretário-geral da ONU, voltado a ampliar compromissos de redução de emissões.

Defesa da democracia e multilateralismo

Ainda na quarta-feira (24), Lula copresidirá a segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia”, junto com o presidente do Chile, Gabriel Boric, e o chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez. O encontro reunirá líderes globais para reforçar o multilateralismo, o Estado de Direito e a cooperação contra o extremismo e a desinformação.

ONU completa 80 anos

A Assembleia Geral deste ano marca também os 80 anos de fundação da ONU, criada em 1945 com a assinatura da Carta de São Francisco. O Brasil foi um dos 51 signatários originais e, até hoje, ocupa posição de destaque na abertura do Debate Geral.

Com informaçoes do brasil247

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