Em Jacarta, o presidente afirmou que o Sudeste Asiático é peça-chave para a nova política externa brasileira
Durante visita de Estado à Indonésia, o presidente Lula afirmou que a Ásia tem papel estratégico no reposicionamento internacional do Brasil e na construção de uma nova ordem global baseada no multilateralismo e na cooperação. “A Ásia tem ocupado lugar de destaque na minha agenda internacional em 2025”, declarou o presidente, ao abrir sua fala em Jacarta ao lado do presidente indonésio, Prabowo Subianto.
Lula lembrou que esteve no Japão, Vietnã e China no primeiro semestre e que, após a Indonésia, seguirá para a Malásia, onde participará da Cúpula da ASEAN. Segundo ele, o Sudeste Asiático “é uma das regiões mais dinâmicas do planeta”, e a aproximação do Brasil com os países da região é “um passo fundamental para a integração entre as economias emergentes do Sul Global”.
Parceria estratégica e comércio em expansão
O presidente destacou que a parceria entre Brasil e Indonésia, lançada por ele em 2008, segue cada vez mais relevante. “Somos grandes democracias, sociedades vibrantes e economias em expansão. Somos membros plenos do BRICS e do G20”, afirmou.
Lula ressaltou os acordos assinados nas áreas de estatística, agricultura, energia, ciência, tecnologia e promoção comercial. “Nosso comércio cresceu mais de três vezes nas últimas duas décadas, mas ainda é pouco diante do potencial de nossos países”, disse, ao citar o volume atual de US$ 6,5 bilhões. O presidente afirmou que Brasil e Indonésia, juntos, somam quase meio bilhão de habitantes e “precisam se tornar parceiros fundamentais na geografia econômica do mundo”.
Cooperação em defesa, energia e meio ambiente
Lula destacou que o Brasil possui uma base industrial de defesa sólida e está pronto para contribuir com as necessidades estratégicas da Indonésia, especialmente na área aeronáutica. Também enfatizou a importância da cooperação energética e mineral, lembrando que ambos os países detêm vastos recursos naturais e florestais e podem liderar a transição para economias de baixo carbono.
“O Século XXI exige que tenhamos coragem para mudar a forma de agir comercialmente, para não ficarmos dependentes de ninguém”, afirmou, ao propor maior institucionalização do diálogo em mineração e energia.
O presidente reforçou ainda o engajamento conjunto na defesa do meio ambiente, destacando o apoio indonésio à COP30 e ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado pelo Brasil. “Não há desenvolvimento sustentável sem superar a fome e a pobreza”, disse, ao citar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada sob a presidência brasileira do G20, e elogiou a política de alimentação escolar do governo indonésio.
Defesa do multilateralismo e da paz
Em tom firme, Lula reafirmou o compromisso das duas nações com o multilateralismo, a paz e o combate ao protecionismo. “Indonésia e Brasil não querem uma segunda Guerra Fria. Queremos comércio livre, democracia comercial e não protecionismo”, declarou.
O presidente também condenou o genocídio em Gaza e defendeu a solução de dois Estados como o único caminho possível para a paz no Oriente Médio. “Somente uma reforma integral do Conselho de Segurança pode resolver sua falta de representatividade e paralisia”, completou.
Vitalidade e futuro político
Encerrando a declaração, Lula falou sobre sua energia e disposição para continuar na vida pública. “Vou completar 80 anos, mas tenho a mesma energia de quando tinha 30. E vou disputar um quarto mandato”, afirmou, arrancando aplausos e risos dos presentes.
O presidente concluiu dizendo que Brasil e Indonésia “serão do tamanho que nós quisermos que eles sejam”, e que pretende intensificar o intercâmbio empresarial entre os dois países. “Uma relação comercial justa é aquela em que os dois países ganham”, resumiu.
No encerramento, Lula mencionou brevemente a importância de avançar na discussão sobre comércio em moedas locais, reforçando que “o Século XXI exige coragem para mudar”.
Com informações do brasil247
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