O governo federal discute medidas para enfrentar o elevado endividamento das famílias brasileiras, considerado um dos principais entraves para a recuperação da percepção de bem-estar econômico no país. Em reunião no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros avaliaram que o nível de dívidas tem limitado os efeitos positivos de políticas como o aumento do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, relata a Folha de São Paulo.
Segundo relatos de participantes do encontro, o diagnóstico é de que o comprometimento da renda das famílias impede que avanços econômicos sejam percebidos pela população, o que pode gerar impactos políticos e eleitorais. A discussão interna aponta para a necessidade de uma reação coordenada do governo para reduzir esse peso no orçamento doméstico e estimular o consumo.
O tema foi tratado como prioridade na agenda do presidente, que também voltou a criticar a política de juros do Banco Central. Lula demonstrou insatisfação com a redução de apenas 0,25 ponto percentual da taxa Selic, que passou para 14,75%, avaliando que o patamar ainda é elevado para o momento econômico. A equipe do governo entende que os juros altos contribuem diretamente para o aumento do endividamento e dificultam a recuperação da economia.
Durante a reunião, ministros também apontaram que o cenário de dívidas elevadas acaba neutralizando iniciativas voltadas à melhoria da renda, comprometendo a percepção de avanço social. A avaliação é de que, sem aliviar o endividamento das famílias, políticas econômicas tendem a ter efeito limitado no cotidiano da população.
Além da questão econômica, o encontro abordou a repercussão política de investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Integrantes do governo reconhecem que, apesar de os problemas terem origem no governo Jair Bolsonaro (PL), os efeitos recaem sobre a atual administração, ampliando o desgaste.
Nesse contexto, auxiliares defendem que o governo reforce a comunicação para destacar que as investigações foram incentivadas pela própria gestão federal, com atuação de órgãos como a Controladoria-Geral da União (CGU), a Polícia Federal e o Banco Central. Ainda assim, há avaliação interna de que esses esforços não têm sido convertidos em ganhos políticos.
Com informações do Brasil247
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