Canadá enfrenta Trump e anuncia retaliação “dólar por dólar” aos EUA

Primeiro-ministro Mark Carney encerra negociações comerciais com Washington e anuncia resposta às novas tarifas norte-americanas de 50% sobre produtos canadenses.

O Canadá decidiu endurecer a resposta às novas medidas comerciais anunciadas pelo governo de Donald Trump e informou que irá retaliar “dólar por dólar” as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A decisão ocorre após o fracasso das negociações entre os dois países e representa uma nova escalada na disputa comercial entre Washington e Ottawa.

O governo norte-americano impôs tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A medida atingiu setores importantes da economia do país e foi adotada depois de as negociações comerciais não chegarem a um acordo.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que as mudanças apresentadas pelos Estados Unidos nas etapas finais das negociações eram injustas e prejudiciais à economia canadense. Diante do impasse, Ottawa decidiu suspender as tratativas e preparar medidas de retaliação.

Canadá prepara resposta às tarifas norte-americanas

A retaliação canadense deverá atingir produtos e setores estratégicos dos Estados Unidos. O governo de Ottawa informou que as novas tarifas começarão a ser aplicadas em setembro.

A medida ocorre depois de Washington ampliar a pressão sobre o comércio bilateral. Entre os setores afetados pela disputa estão aço, alumínio, automóveis, produtos agrícolas, laticínios e outros bens industriais.

Carney afirmou que o objetivo da resposta canadense é proteger trabalhadores e empresas do país diante das medidas adotadas pelo governo Trump. A estratégia também busca reduzir a vulnerabilidade econômica do Canadá diante da forte dependência de seu comércio com os Estados Unidos.

O Canadá destina aproximadamente 70% de suas exportações ao mercado norte-americano, o que torna a escalada especialmente sensível para a economia canadense.

Disputa ameaça ampliar guerra comercial na América do Norte

A nova rodada de tarifas aumenta o risco de uma guerra comercial mais ampla entre os dois países. A integração das cadeias produtivas norte-americanas, especialmente no setor automotivo, faz com que medidas de retaliação possam afetar empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados da fronteira.

Além das tarifas já anunciadas, Trump afirmou nesta segunda-feira (24) que pretende aplicar, a partir de janeiro de 2027, tarifas de 50% sobre automóveis, caminhões e peças automotivas produzidos no Canadá. A ameaça amplia ainda mais a pressão sobre uma indústria profundamente integrada entre os dois países.

O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, também elevou o tom e afirmou que o Canadá poderia adotar medidas adicionais, incluindo restrições ao fornecimento de eletricidade e minerais estratégicos aos Estados Unidos caso a tensão continue aumentando.

A deterioração das relações comerciais entre os dois países também já repercute nos mercados financeiros. O dólar canadense sofreu queda após o anúncio das novas tarifas norte-americanas, enquanto investidores passaram a avaliar os riscos de uma disputa comercial prolongada.

A crise coloca em xeque uma das relações comerciais mais integradas do mundo e aumenta a pressão sobre os governos canadense e norte-americano para encontrar uma saída negociada antes que novas tarifas provoquem impactos ainda maiores sobre empresas, empregos e consumidores.


🔍 Fontes: Vermelho

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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