Ceilândia em Alerta — O dólar comercial fechou em forte alta nesta quarta-feira (23), aproximando-se de R$ 5,17, em um dia marcado pela valorização da moeda norte-americana no exterior, pelas repercussões do cenário eleitoral brasileiro e pela alta do petróleo. O movimento ocorreu em meio a novas informações sobre as eleições de 2026, enquanto o Ibovespa recuou e voltou a ficar abaixo dos 186 mil pontos.
O dólar comercial à vista terminou o pregão cotado a R$ 5,169, com alta de 1,27%. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,177 na máxima, registrada por volta das 14h40.
No exterior, o dólar também ganhou força. O índice DXY, que acompanha o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de seis divisas, avançou cerca de 0,54%, para 101,090 pontos, próximo dos maiores níveis registrados desde julho.
Dados dos Estados Unidos pressionam mercados
Um dos fatores que contribuíram para a alta do dólar foram os novos dados de atividade econômica dos Estados Unidos. O índice de gerentes de compras (PMI) subiu de 56 pontos em agosto para 58,4 em setembro.
Leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade econômica. O resultado reforçou as expectativas de que os juros norte-americanos possam permanecer elevados por mais tempo.
Com a perspectiva de taxas maiores, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram. Esse movimento tende a aumentar a atratividade de investimentos denominados em dólar.
No Brasil, além do cenário internacional, investidores acompanharam novas pesquisas eleitorais e seus possíveis efeitos sobre os mercados.
Apesar da alta registrada nesta quarta-feira, o dólar ainda acumula queda de 5,83% em relação ao real em 2026.
Ibovespa recua
Depois de duas sessões consecutivas de alta, o Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 185.814 pontos.
O principal índice da Bolsa brasileira chegou a atingir 188.772 pontos na máxima do dia e recuou até 185.676 pontos na mínima. O volume financeiro negociado foi de R$ 29,68 bilhões.
A alta dos rendimentos dos títulos norte-americanos, os dados econômicos dos Estados Unidos e a valorização do petróleo pressionaram os ativos considerados de maior risco.
O mercado brasileiro também acompanhou os desdobramentos do cenário político e econômico, em um período de atenção dos investidores às decisões que afetam a economia.
Mesmo com a queda desta quarta-feira, o Ibovespa acumula alta de 4,73% em setembro.
Bolsas de Nova York fecham em baixa
Em Wall Street, os principais índices também terminaram o dia no vermelho.
O Dow Jones caiu 0,68%, aos 51.512,42 pontos. O S&P 500 recuou 0,75%, para 7.706,39 pontos, enquanto o Nasdaq registrou baixa de 1,13%, aos 26.936,04 pontos.
As ações de tecnologia foram particularmente afetadas pela alta dos rendimentos dos títulos norte-americanos, por serem mais sensíveis às expectativas relacionadas aos juros.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos ultrapassou 5% ao ano pela primeira vez desde julho de 2007.
Taxas mais elevadas em economias desenvolvidas podem aumentar a atratividade desses mercados e reduzir o interesse relativo por ativos de países emergentes, como o Brasil.
Petróleo volta a subir
O petróleo também contribuiu para o movimento dos mercados. Depois de cinco sessões consecutivas de queda, as cotações voltaram a avançar em meio à falta de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
O barril do Brent, referência internacional, subiu 2,84%, para US$ 98,12. Já o petróleo WTI, produzido no Texas, avançou 1,81%, para US$ 92,16.
As incertezas relacionadas às negociações entre Washington e Teerã reduziram as expectativas de uma solução de curto prazo para as tensões no Oriente Médio.
Notícias sobre uma possível restrição às exportações de diesel dos Estados Unidos também contribuíram para a alta, embora a Casa Branca tenha negado a existência de um plano nesse sentido.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos informou ainda que os estoques de petróleo do país aumentaram em 2,969 milhões de barris na semana. O mercado esperava uma queda de aproximadamente 500 mil barris.
Principais números
- Dólar comercial: R$ 5,169, alta de 1,27%;
- Ibovespa: 185.814 pontos, queda de 0,86%;
- Petróleo Brent: US$ 98,12, alta de 2,84%;
- Petróleo WTI: US$ 92,16, alta de 1,81%.
Fonte: Agência Brasil



