Anac aponta recorde de viagens no primeiro trimestre do ano, mas governo não vê cenário alentador para as companhais brasileiras por causa da alta do combustível de aviação
Apesar da guerra no Golfo Pérsico, que impactou severamente o suprimento de querosene de aviação (QAv) para as companhias aéreas do mundo todo, nunca os brasileiros voaram tanto quanto no primeiro trimestre deste ano. Segundo o Relatório de Demanda e Oferta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) referente ao mês de março, mais de 33,5 milhões de passageiros foram transportados em voos domésticos e internacionais desde o início do ano, um aumento de 7,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025
Os voos domésticos foram responsáveis por 25,2 milhões de embarques, enquanto as linhas internacionais transportaram 8,3 milhões de passageiros. Os números refletem os recordes mensais registrados em cada um dos três primeiros meses da série histórica: janeiro (12,4 milhões de passageiros), fevereiro (10,5 milhões) e março (10,5 milhões).
O maior aumento se deu no transporte aéreo internacional, com alta de 13% no primeiro trimestre de 2026 — mais do que o dobro do percentual de aumento dos voos domésticos (6%). No período de 12 meses terminado em março, a demanda cresceu 9,4%.
O cenário para o restante do ano, porém, não é animador. O Ministério de Portos e Aeroportos prevê dificuldades para as companhias aéreas, que estão sendo impactadas pela alta do QAv. O combustível representa, em média, 30% dos custos totais das empresas do setor, mas, desde abril, com as sucessivas altas de preço, já atinge 45% das despesas das companhias que operam no Brasil, segundo estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
De acordo com a Anac, o preço das passagens disparou 17,8% em março, na comparação com março de 2025. A metodologia da agência reguladora considera apenas o preço pago pela tarifa bruta, desconsiderando variações como serviços extras (franquia de bagagem ou marcação de assentos, por exemplo) e descontos promocionais. O preço médio por trecho ficou em R$ 707, mas 45% dos assentos vendidos em março ficaram abaixo de R$ 500.
Para o órgão regulador, os aumentos registrados estão “dentro da margem típica de variação no setor, mesmo com o contexto atual de conflitos externos gerando impactos na aviação em âmbito mundial”, segundo nota divulgada nesta sexta-feira (24/4). A Anac destaca que a tarifa real média está em queda desde 2023.
“A agência segue monitorando a evolução do mercado, em conjunto com a Casa Civil, os ministérios da Fazenda e de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), buscando atuar para mitigar os efeitos do contexto corrente”, informou a agência.
Novas medidas
A alta acelerada do combustível é uma das consequências econômicas da guerra promovida pelos Estados Unidos contra o Irã, que praticamente paralisou o transporte de petróleo e derivados no Golfo Pérsico, uma das principais rotas globais de suprimento de combustíveis. Aéreas de todo o mundo anunciam ajustes operacionais e financeiros, como cortes de rotas, aumentos no preço das passagens e renegociação de contratos para fazer frente à disparada dos custos.
“Sabemos que há uma crise conjuntural e global afetando o preço do querosene de aviação e isso pode impactar a movimentação de passageiros aéreos ao longo do ano. Mas este crescimento mostra a importância de adotar as medidas que estamos propondo para minimizar a influência da guerra sobre o valor da tarifa”, avaliou o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, referindo-se às medidas anunciadas pelo governo para frear o aumento de custos das empresas aéreas e, consequentemente, minimizar os impactos tarifários ao passageiro.
No início do mês, o governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAv — que deve provocar uma redução de R$ 0,07 por litro do combustível — e prorrogou para o fim do ano o pagamento das tarifas de navegação aérea referentes a abril, maio e junho. Também abriu linhas de crédito às três maiores empresas que operam no país — Latam, Gol e Azul — para reestruturação financeira e reforço no capital de giro. Outras medidas ainda estão sendo avaliadas pela equipe econômica, para o caso de o conflito na Ásia se prolongar pelos próximos meses.
“Estamos estudando outras medidas para que os passageiros brasileiros não sejam tão prejudicados. Os impactos, provavelmente, serão sentidos, mas o governo federal está atuando para reduzir”, assegurou o ministro Franca.
Com informações do Correio Braziliense
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