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Jato, filme e negócios ampliam informações sobre relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Flávio Bolsonaro sentado em um plenário, vestindo paletó azul claro, camisa branca e gravata azul com estampas, aparece com a mão esquerda na testa e expressão cabisbaixa ou reflexiva.
O senador Flávio Bolsonaro | Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Registros mostram viagem do senador em aeronave compartilhada por empresa que tinha o ex-banqueiro como sócio, movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e cobranças relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.

Ceilândia em Alerta – Novas informações sobre a relação entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, reúnem uma viagem em avião executivo, negociações para financiar o filme Dark Horse e movimentações financeiras entre empresas ligadas aos proprietários da aeronave e o banco.

Em 19 de janeiro de 2025, Flávio viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília em um jato Legacy 650, prefixo PP-NLR. Estavam no voo sua mulher, as duas filhas e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador.

A identificação da aeronave foi feita pela revista piauí a partir do cruzamento de registros históricos de tráfego aéreo, movimentações aeroportuárias e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro.

O avião estava vinculado a uma estrutura de propriedade compartilhada. Willer Tomaz possuía uma das participações, enquanto outra estava nas mãos da Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio entre 2021 e setembro de 2025.

Tomaz confirmou que possuía um terço da sociedade proprietária da aeronave, mas afirmou que somente descobriu em abril de 2026 que Vorcaro também teria adquirido participação no negócio. Segundo ele, após tomar conhecimento da situação, rompeu o contrato e passou a disputar judicialmente com a Prime You.

O advogado afirma ainda que não conhece Vorcaro, nunca esteve pessoalmente com o ex-banqueiro e jamais realizou negócios diretamente com ele.

Viagem antecedeu cobranças pelo financiamento de filme

A viagem ocorreu durante o período em que estava sendo estruturado o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia internacional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No dia seguinte ao retorno ao Brasil, mensagens mostram Flávio cobrando do intermediário Thiago Miranda informações sobre o envio de recursos aos Estados Unidos para a produção. Miranda, por sua vez, mantinha contato com Vorcaro sobre os pagamentos.

O cronograma previa uma primeira transferência de US$ 2 milhões em 20 de janeiro de 2025, mas o pagamento ocorreu posteriormente, em fevereiro.

Os recursos foram destinados ao Havengate Development Fund LP, fundo norte-americano relacionado ao financiamento do filme. O agente legal do fundo era um escritório comandado pelo advogado Paulo Calixto, que também manteve relação profissional com Eduardo Bolsonaro.

Investigações posteriores passaram a analisar o caminho percorrido pelo dinheiro utilizado na produção e se parte desses valores teve destinação diferente daquela formalmente prevista.

A Polícia Federal também apura a possibilidade de recursos relacionados à estrutura terem beneficiado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A existência dessa linha investigativa não significa que essa hipótese tenha sido comprovada.

Flávio Bolsonaro reconheceu anteriormente que procurou Vorcaro em busca de financiamento para Dark Horse. O senador sustenta que buscava investimento privado para uma produção privada e nega irregularidades.

Empresas também tiveram movimentações com o Banco Master

As novas informações incluem ainda relações financeiras envolvendo empresas associadas à estrutura proprietária do jato.

Segundo os dados publicados, a Fraction 024, sociedade relacionada à aeronave, realizou 36 transferências que somaram R$ 7,6 milhões para o Banco Master entre setembro de 2024 e setembro de 2025.

No mesmo período, foram registrados aproximadamente R$ 6,5 milhões em pagamentos à Prime You.

Essas movimentações demonstram relações comerciais entre as empresas, mas, isoladamente, não comprovam ilegalidade.

Willer Tomaz também possui uma relação pessoal pública com Flávio Bolsonaro. Os dois realizaram outras viagens juntos, incluindo um safári na África do Sul em março de 2025.

Durante sua campanha em 2025, Flávio também utilizou um apartamento pertencente a Tomaz em São Paulo. O imóvel havia sido adquirido anteriormente de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

A sucessão de informações divulgadas por diferentes investigações e reportagens permite reconstruir parte das relações pessoais, comerciais e financeiras existentes entre integrantes desse grupo. Entretanto, a existência de viagens compartilhadas, negócios, transferências bancárias ou contatos pessoais não estabelece, por si só, participação de Flávio Bolsonaro ou dos demais citados nos crimes investigados no caso Banco Master.

As autoridades continuam apurando a origem, o caminho e a destinação dos recursos relacionados ao financiamento de Dark Horse, assim como eventuais conexões dessas operações com outras estruturas financeiras investigadas.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; revista piauí.

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