A inclusão do nome de Ciro Gomes (PSDB) em um documento interno do PL que trata do cenário eleitoral nos estados foi interpretada por aliados do ex-ministro como um indicativo de fortalecimento da aliança entre as duas legendas no Ceará. O registro, atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL), menciona Ciro como possível candidato ao governo estadual e animou defensores de um acordo para 2026. As informações são da revista IstoÉ.
O documento, intitulado “situação nos estados”, foi inicialmente revelado pelo jornal Folha de S. Paulo e discutido em reunião da cúpula do PL. O material apresenta esboços de chapas associadas a uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O senador confirmou a autoria das anotações.
No trecho referente ao Ceará, além de Ciro ao governo, aparecem como possíveis nomes ao Senado o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil), a vereadora Priscila Costa (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil).
Ex-presidente do diretório estadual do PSDB e atual prefeito de Massapê, Ozires Pontes afirmou que a menção ao ex-ministro reforça o posicionamento político do grupo. Segundo ele, a anotação “reafirma o projeto de oposição” do qual “PL e André Fernandes [presidente estadual da legenda] fazem parte”. Ele acrescentou à IstoÉ: “Brasília está alinhada conosco”.
Um dos articuladores da pré-candidatura de Ciro, o deputado estadual Claudio Pinho (PDT) declarou que o diálogo com o PL no Ceará nunca foi interrompido. Para ele, as anotações tornaram “explícito o desejo do senador Flávio, de Valdemar Costa Neto [presidente do PL] e André” de consolidar uma chapa conjunta.
Já o deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) avaliou que o registro reacende uma negociação que estava paralisada desde o fim de 2025. Naquele momento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) esteve no Ceará, manifestou apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual e transferiu à direção nacional do partido a decisão sobre eventual aliança com Ciro, o que interrompeu a articulação conduzida no estado.
Embora ainda não tenha confirmado publicamente a intenção de disputar novamente o Palácio da Abolição — cargo que ocupou entre 1991 e 1994 —, Ciro tem adotado uma agenda típica de pré-campanha. Nos últimos meses, intensificou reuniões com prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares na sede do PSDB no Ceará.
Mesmo após quatro candidaturas à Presidência da República no campo da centro-esquerda e críticas contundentes a Jair Bolsonaro, Ciro é visto por setores da direita como um nome competitivo para enfrentar o atual governador Elmano de Freitas e tentar encerrar a sequência de três mandatos do PT no estado. Conforme o desenho discutido, caberia ao PL a prioridade na definição de um candidato ao Senado na eventual chapa conjunta
Com informações do Brasil247
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