O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), preocupações sobre a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1. Em entrevista à Folha de São Paulo, o parlamentar declarou ser contrário à votação do tema em ano eleitoral e apontou possíveis impactos negativos para a economia brasileira.
Pereira relatou que externou sua posição diretamente a Motta e ouviu do presidente da Câmara que a tramitação da PEC buscaria assegurar protagonismo ao Legislativo diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um projeto de lei sobre o assunto.
Ao comentar a proposta, Pereira afirmou: “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Eu estou preocupado”.
Ele argumentou que, conforme notas técnicas do setor produtivo, a mudança pode elevar custos. “Pelas notas técnicas do setor produtivo, vai encarecer mais ainda. Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a competitividade do setor produtivo brasileiro”, declarou.
Sobre a decisão de pautar a matéria, Pereira relatou a justificativa apresentada por Motta: “Ele falou ‘vamos fazer um debate’. No momento que ele despachou para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ele me disse: ‘Eu estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo’”.
Questionado sobre a comparação feita por Motta entre a PEC e marcos históricos como a criação da CLT e o fim da escravidão, o dirigente partidário afirmou: “Me surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente tem um abismo”. Ele também citou diferenças de custo trabalhista e tributário em relação a países europeus e à China.
Ao abordar a demanda por mais tempo de lazer, Pereira declarou: “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”. Ele acrescentou que a população enfrenta limitações econômicas: “O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”.
Banco Master e investigações
Sobre o caso envolvendo o Banco Master, o deputado afirmou que as investigações devem seguir seu curso. “Isso é um negócio que você vê como ele começa, mas não sabe como termina. Está a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário”. Ele ressaltou que recursos públicos precisam ser apurados: “É dinheiro público. Tem que ser investigado e, se comprovadas fraudes e crimes, serão penalizados, não tenho dúvidas”
Pereira também destacou que o Fundo Garantidor de Crédito envolve recursos privados e que o sistema financeiro deve se organizar sob regulação do Banco Central
Disputa política e cenário eleitoral
No campo político, o presidente do Republicanos avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço na direita após a prisão de Jair Bolsonaro (PL). “Não tem vácuo. Acho que foi ocupado por ele [Flávio]. Se o Bolsonaro apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%. Ele já está no segundo turno. São os números que estão aí”, afirmou
Ao comentar decisões tomadas pelo PL sem diálogo com outras legendas, declarou: “Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação. […] Isso distancia”. Sobre eventual apoio em 2026, disse que a discussão interna começará após o prazo da janela partidária
Questionado se considera que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado, respondeu: “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei. Não participei, não conheço, não me debrucei nos autos do processo que o julgou, então prefiro não dar essa opinião”
Pereira também afirmou não se incomodar com críticas ao Congresso e reiterou posições liberais na economia, defendendo privatizações amplas, com exceção de Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e Petrobras
Aos 53 anos, Marcos Pereira é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, está em seu segundo mandato como deputado federal e já ocupou o cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Michel Temer (MDB)
Com informações do Brasil247
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