Início Brasil Lyra classifica como ‘inadmissível’ e governo promete investigação após Polícia de Pernambuco usar fotos de Erika Hilton e Duda Salabert em álbum de suspeitos
Brasil

Lyra classifica como ‘inadmissível’ e governo promete investigação após Polícia de Pernambuco usar fotos de Erika Hilton e Duda Salabert em álbum de suspeitos

Deputadas ofendidas cobram respostas e adversário pede responsabilização; a Polícia Civil opera sob o governo estadual

Compartilhar
Compartilhar

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), criticou a Polícia Civil por colocar fotografias de duas deputadas federais transgênero no álbum de identificação de pessoas suspeitas de crimes. O álbum serve para que vítimas ou testemunhas identifiquem, entre as fotografias, a pessoa a ser acusada. “Inadmissível. Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na corregedoria da Secretaria de Defesa Social (órgão responsável pelas polícias em Pernambuco). Preconceito e violência simbólica não são tolerados em Pernambuco”, escreveu Lyra na plataforma X, nesta quarta-feira (25).

O caso veio à tona nesta terça-feira (24), através da deputada federal Duda Salabert (PDT de Minas Gerais), que denunciou que sua imagem está no álbum de identificação de suspeitos em Pernambuco. Ela classificou o caso como “gravíssimo” e “absurdo”. “Racismo e transfobia institucional. Já acionei a Justiça. Não vamos aceitar que identidade de travestis vire critério de suspeição”, escreveu Salabert nas redes sociais. A deputada foi alertada da situação pela Defensoria Pública de Pernambuco, que enviou um ofício ao gabinete da parlamentar.

A outra deputada que teve suas imagens usadas pela Polícia Civil foi Erika Hilton (Psol de São Paulo). “Isso é incompetência, discriminação e, sim, transfobia”, escreveu Hilton ao cobrar respostas da governadora Raquel Lyra (PSD). A Defensoria Pública notou a irregularidade no procedimento de reconhecimento fotográfico realizado em abril de 2025, no âmbito de um processo que tramita na 16ª Vara Criminal do Recife. A investigação busca identificar um roubo ocorrido no dia 24 de fevereiro de 2025, próximo à faculdade privada Fafire, no bairro da Boa Vista, centro do Recife.

Foram apresentadas à vítima seis fotografias. A defensora Gina Muniz percebeu a situação que ela classifica como “inconsistências na formação do álbum fotográfico utilizado pela autoridade policial, o que compromete a regularidade do procedimento”. O órgão considera que o caso é uma violação do artigo 226 do Código do Processo Penal, que define que a vítima deve descrever as características do indivíduo suspeito e, a partir da descrição, a Polícia Civil deve apresentar os suspeitos ao lado de outras pessoas com características físicas semelhantes.

A Defensoria considerou que não foram usadas características individualizantes – Salabert é branca e Hilton é negra, por exemplo -, de modo que o uso daquelas fotos teria se baseado em estereótipos discriminatórios e que ferem a dignidade de ambas. O órgão pede a anulação daquela etapa da investigação.

SDS diz repudiar preconceito e discriminação

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco enviou nota à imprensa garantindo a instauração de investigação interna no órgão. “A Corregedoria Geral da SDS iniciou uma investigação preliminar para coletar os subsídios necessários para instauração de processo administrativo. (…) A Polícia Civil de Pernambuco assegura a apuração rigorosa dos fatos noticiados e a adoção de todas as medidas cabíveis”, inicia a nota.

“A instituição também reforça a implementação contínua de diretrizes, protocolos e ações voltadas à orientação de seus servidores, visando a uma atuação sempre ética, responsável e livre de qualquer forma de preconceito. A corporação repudia de forma veemente qualquer prática de preconceito ou discriminação, reafirmando seu compromisso com a dignidade humana, o cumprimento dos preceitos legais e a promoção de um atendimento igualitário a toda a população”, conclui o informe.

Quem foram os responsáveis?

A deputada estadual Rosa Amorim (PT) apresentou um pedido oficial de informações para apurar quem foram os culpados pelo “uso irresponsável” das imagens das duas parlamentares transgênero. “A Defensoria já apontou o caráter discriminatório, reforçando estigmas de raça e gênero. Racismo e transfobia institucional precisam ser combatidos com rigor”, declarou Amorim.

O líder pela Frente em Defesa da População LGBT+ na Assembleia Legislativa, deputado João Paulo (PT), se dirigiu a Erika Hilton. “As forças policiais do estado devem uma explicação urgente e transparente a vocês e à sociedade. Recebam minha solidariedade e contem com meu mandato para cobrar uma apuração rigorosa e a responsabilização dos envolvidos”, escreveu.

Provável adversário de Raquel Lyra (PSD) nas eleições do próximo mês de outubro, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou a situação como “inaceitável” e “revoltante”. “É preciso que seja feita uma apuração rigorosa, com responsabilização, porque não há espaço para ódio em uma democracia”, pontuou.

Com informações do Brasil de Fato

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar
Artigos Relacionados

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no Exército

O ministro Carlos Vuyk de Aquino, do Superior Tribunal Militar (STM), acolheu...

Feminicídio no Rio: psicóloga e candidata a Miss Bahia é morta pelo namorado

A psicóloga baiana e candidata a miss Ana Luiza Mateus, de 29...

Plano F, o ajuste neoliberal de Flávio Bolsonaro, não sobrevive a 24 horas de escrutínio público

A reação do senador Flávio Bolsonaro (PL) a propostas de ajuste fiscal...

‘Bolsonaro é responsável pela quadrilha que acabou com o Rio’, aponta Otoni de Paula

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que se declara de direita...