Petição protocolada hoje cita pagamento de contas pessoais por ex-assessora e conexões com o Banco Master; parlamentar também é investigado por uso de emenda em filme sobre Bolsonaro
A Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados protocolou nesta segunda-feira (25) uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP). O parlamentar bolsonarista é acusado de supostas práticas de rachadinha – desvio de salários de assessores –, lavagem de dinheiro e uso indevido de recursos públicos.
O documento, encabeçado pelo líder da bancada, deputado Pedro Uczai (SC), aponta que uma ex-funcionária do gabinete de Frias teria pago fatura do cartão de crédito da esposa do parlamentar, feito transferências via Pix para a mãe dele e enviado valores ao então chefe de gabinete. Os comprovantes bancários foram divulgados pela imprensa.
Diante dos fatos, a Bancada do PT solicita à PGR a instauração de um procedimento investigatório criminal, com requisição de inquérito à Polícia Federal, quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, além da oitiva da ex-funcionária e de outros servidores do gabinete.
“A remuneração de assessor de gabinete possui finalidade pública específica: custear trabalho efetivo em favor do mandato parlamentar. Quando parte desses valores retorna ao parlamentar, a seus familiares ou a chefes de gabinete, há indício de desvio da função pública e de apropriação privada da estrutura estatal”, afirma a petição.
Conexão com Banco Master
A representação pede ainda a investigação de outros episódios envolvendo o deputado. Entre eles, a destinação de uma emenda parlamentar para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rota financeira atípica entre Brasil, Estados Unidos e novamente Brasil.
Além disso, a viagem de Mário Frias ao Bahrein sem a devida comunicação prévia à Mesa Diretora da Câmara – conforme exige o artigo 228 do Regimento Interno da Casa – também é citada. O deslocamento ocorreu em um momento no qual o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia expedido uma intimação para que o deputado prestasse esclarecimentos sobre a emenda do filme.
“Os fatos apontam para o possível uso do mandato parlamentar como plataforma de arrecadação privada, circulação intransparente de recursos e tentativa de evitar ou retardar atos formais de controle institucional”, diz trecho da petição.
A Bancada do PT também destaca as relações de Mário Frias com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Áudios e mensagens divulgados pela imprensa mostram o deputado tratando Vorcaro como “meu brother” e agradecendo-o por apoios financeiros, depois de inicialmente negar qualquer repasse de valores para o filme Dark Horse.
Antecedentes e pedido de investigação ampla
A petição lembra que o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), pré-candidato da extrema-direita à Presidência da República, também já foi acusado de praticar rachadinhas no “caso Queiroz”, em investigação que apontou desvio de salários de assessores, lavagem de dinheiro e uso de loja de chocolates para dar aparência lícita a recursos de origem suspeita. A família Bolsonaro também foi alvo de investigação sobre rachadinhas, furto de joias e a aquisição de 107 imóveis, 51 deles com uso total ou parcial de dinheiro vivo.
Do mesmo campo político, Flávio Bolsonaro e Mário Frias reaparecem conectados ao Banco Master, com áudios divulgados pelo Intercept em que cobram dinheiro, agradecem apoio e tratam Daniel Vorcaro como “irmãozão” e que estarão “juntos para sempre”. O escândalo do Banco Master envolve um rombo bilionário decorrente de fraudes financeiras e está no centro de uma ampla investigação da Polícia Federal (Operação Compliance Zero). O caso culminou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, e na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.
“A extrema direita posa de moralista, mas aparece, de novo, cercada por escândalo de corrupção e relações financeiras subterrâneas”, afirmou o deputado Pedro Uczai, ao justificar o pedido de investigação.
Redação PT na Câmara
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