Relatório do Pnud mostra avanço do IDHM no Brasil, mas destaca desigualdades raciais, de gênero e regionais persistentes
O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de países com muito alto desenvolvimento humano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O levantamento faz parte do “Radar IDHM” e aponta avanços nos indicadores de longevidade, educação e renda, embora ressalte que o progresso ocorreu de forma desigual entre diferentes grupos da população e regiões do país.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é calculado a partir de três dimensões: expectativa de vida, escolaridade e renda. A escala varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior é o nível de desenvolvimento humano. O novo resultado coloca o Brasil em um patamar inédito na série histórica analisada pelo Pnud.
Apesar da melhora geral nos indicadores, o relatório evidencia disparidades raciais persistentes. A população branca alcançou índice de 0,851, considerado de muito alto desenvolvimento humano, enquanto a população negra registrou 0,774, faixa classificada como alto desenvolvimento humano.
“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca. A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda”, afirma o relatório do Pnud.
As diferenças também aparecem na comparação entre homens e mulheres. Os homens registraram IDHM de 0,802, entrando na categoria de muito alto desenvolvimento humano. Já as mulheres alcançaram 0,798, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento humano. Segundo o estudo, as desigualdades se tornam ainda mais evidentes quando o índice é ajustado pela renda do trabalho.
O relatório também mostra evolução no indicador relacionado à desigualdade. Em 2012, o Brasil era classificado como país de baixo desenvolvimento humano nesse critério. Em 2024, o país passou para o nível de médio desenvolvimento humano. Ainda assim, o Pnud alerta que parte significativa da população permanece distante dos avanços refletidos na média nacional.
No recorte territorial, os 27 estados brasileiros apresentaram recuperação e superaram os níveis registrados antes da pandemia de Covid-19. De acordo com o Pnud, o desempenho é resultado de décadas de políticas públicas voltadas para saúde, educação e geração de renda.
Atualmente, dez unidades da federação já atingiram o nível mais alto da escala de desenvolvimento humano, enquanto as demais permanecem no patamar de alto desenvolvimento. O Distrito Federal lidera o ranking nacional, com índice de 0,866, seguido por São Paulo, com 0,838, e Santa Catarina, com 0,833.
Na outra ponta, Maranhão aparece com o menor índice do país, registrando 0,745. Em seguida estão Alagoas, com 0,746, e Acre, com 0,754.
Os dados também revelam fortes diferenças nos indicadores específicos que compõem o IDHM. Na expectativa de vida ao nascer, por exemplo, o Amapá registra média de 74,32 anos, enquanto o Distrito Federal chega a 79,75 anos.
Em relação à escolaridade, a proporção da população com 18 anos ou mais que concluiu o ensino fundamental varia de 59,14% na Paraíba para 83,38% no Distrito Federal.
Já na renda domiciliar per capita, o Maranhão apresenta média de R$ 482,46, enquanto o Distrito Federal alcança R$ 1.465,10, evidenciando a desigualdade econômica entre as regiões brasileiras.
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