Edivaldo Bitencourt: ”Enquanto não falta dinheiro para elevar o próprio salário, prefeita dá calote em fornecedores de medicamentos; mas ela e o secretário Ulisses Rocha culpam ‘boicote’ dos servidores”. Foto: Arquivo/O Jacaré
MPE aponta calote de R$ 197 mi como causa da falta de remédios e insumos nos postos de saúde
Por Edivaldo Bitencourt, em O Jacaré
O Ministério Público Estadual apontou que a gestão de Adriane Lopes (PP) deu calote de R$ 197,6 milhões nos fornecedores de medicamentos, insumos e materiais hospitalares.
Essa é a principal causa da falta da remédios e materiais para exames na rede municipal de saúde, enquanto não faltou dinheiro para elevar em 50% os salários da prefeita, da vice-prefeita Camilla Nascimento Oliveira (sem partido) e secretários municipais.
De acordo com nota do MPE, algumas empresas estão sem receber da prefeitura há 500 dias – um ano e quatro meses.
O Tribunal de Contas da União já apura também o desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde, conforme denúncia feita pelo Conselho Municipal de Saúde.
A situação financeira da Secretaria Municipal de Saúde é investigada pela 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.
“A atuação do MPMS ganhou força após denúncias de empresas contratadas pela prefeitura, que relataram dificuldades no recebimento por serviços prestados, especialmente no fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares”, apontou o MPE.
“Entre os casos apurados, está o de fornecedores que acumulam dívidas há mais de 500 dias, colocando em risco a continuidade do abastecimento nas unidades de saúde”, destacou a promotoria.
De janeiro de 2021 a fevereiro deste ano, a prefeitura deixou de pagar R$ 285,8 milhões. Houve o pagamento de R|$ 88,2 milhões, mas ainda existe um passivo de R$197,6 milhões.
“Além disso, levantamento específico referente a 2026 indica mais de R$ 5 milhões em débitos com empresas responsáveis pelo fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares, o que pode comprometer diretamente o atendimento à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, explicou o MPE.
A investigação vai na contramão das desculpas dadas pelo secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, de que servidores estariam boicotando o fornecimento de medicamentos à população.
Adriane tinha feito denúncia semelhante na campanha eleitoral de 2024, quando culpou um servidor pela falta de medicamentos nas unidades de saúde.
Na contramão das desculpas, o MPE ampliou a investigação e confirmou que o calote é responsável pelos problemas sofridos pela população, principalmente, pelos mais pobres, que não possuem condições de comprar medicamentos nem realizar exames na rede particular.
“O acúmulo de dívidas já tem reflexos práticos na rede municipal. A falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares tem sido recorrente, e a própria administração municipal, em alguns momentos, atribuiu o problema a falhas na entrega por fornecedores. No entanto, o MPMS busca apurar se a causa principal está justamente no atraso dos pagamentos”, informou MPE.
Se falta dinheiro para comprar remédios, Adriane não economizou em elevar o próprio salário e do primeiro escalão. Evangélica, a prefeita decidiu priorizar o próprio salário, que subiu de R$ 21,2 mil para R$ 31,9 mil.
O salário da concunhada de Adriane e atual chefe da Casa Civil, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, saltou 49,9%, de R$ 29,1 mil para R$ 43,6 mil, somando-se subsídio e “pagamentos ocultos”.
A corrupção é outro problema da atual gestão, alvo de três operações – Cascalhos de Areia, Apagar das Luzes e Buraco Sem fim – de combate à corrupção nos últimos três anos.
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