Ceilândia em Alerta — Representantes de diferentes grupos minoritários disputam vagas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Entre os candidatos estão pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência (PCDs), que defendem maior participação desses segmentos nas decisões políticas.
Dos 657 candidatos registrados no Distrito Federal, 11 se declararam gays, 10 bissexuais, oito lésbicas, dois transgêneros e três indígenas. No recorte racial, 264 candidatos se identificaram como pardos e 89 como pretos.
Para a cientista política Teresa Starling, da Universidade de Brasília (UnB), apesar da presença expressiva da população LGBTQIAPN+ no Distrito Federal, transformar essa identidade em capital político e conquistar um cargo eletivo ainda representa um desafio.
Segundo dados do IBGE de 2019 citados pela especialista, 2,9% da população adulta do DF se declarava homossexual ou bissexual. Teresa avalia que, embora Brasília tenha ambientes nos quais a diversidade sexual seja mais naturalizada, o eleitorado do Distrito Federal também possui setores conservadores.
Ela ressalta ainda que candidatos que assumem publicamente sua orientação sexual podem enfrentar resistência tanto entre eleitores quanto dentro das próprias estruturas partidárias, especialmente em relação a apoio, visibilidade e recursos de campanha.
As eleições de 2026 são as primeiras em que os candidatos podem optar por informar ou não a orientação sexual no cadastro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as 657 candidaturas registradas no DF, 233 pessoas decidiram não divulgar essa informação, o equivalente a 35,46% do total.
Diversidade na política
Candidato a deputado distrital pelo PT, o professor e servidor público Andrey Lemos defende maior visibilidade para diferentes grupos sociais. Segundo ele, pessoas negras, LGBT, de religiões de matriz africana e moradores das periferias historicamente enfrentam preconceito, violência e falta de oportunidades.
Andrey afirma que pretende, caso eleito, participar das discussões sobre orçamento e planejamento do Distrito Federal, com foco em políticas públicas que atendam diferentes segmentos da população.
O cientista político André Rosa também considera importante ampliar a presença LGBTQIAPN+ nos espaços de poder. Para ele, a representação política pode contribuir não apenas para o debate sobre costumes, mas também para a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão, ao mercado de trabalho e ao combate à discriminação.
Candidata a deputada distrital pelo PSol, Madu Krasny busca se tornar a primeira parlamentar trans do Distrito Federal. Professora formada pela UnB, ela afirma que pretende atuar em áreas como serviço público, transporte, saúde, educação, juventude, periferia e cultura.
Para a consultora de comunicação política Deniza Gurgel, a presença de representantes LGBTQIAPN+ no Legislativo pode contribuir para levar ao debate político as experiências e demandas desse grupo. Ela ressalta, porém, que a comunidade é diversa e possui necessidades diferentes.
Atuação política vai além das eleições
Candidata a deputada federal pelo PT, Ruth Venceremos destaca que sua trajetória política começou ainda na adolescência, quando passou a viver em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Ela defende que o Congresso Nacional tenha maior diversidade e represente de maneira mais ampla a composição da sociedade brasileira. Para Ruth, a participação de diferentes grupos nas decisões políticas é fundamental para promover mudanças nas condições de vida da população.
Representatividade racial
Pessoas pretas e pardas são maioria entre os candidatos do DF, mas essa proporção ainda não se reflete na composição da Câmara Legislativa.
Na atual legislatura da CLDF, três deputados se declaram pretos e oito pardos. Entre os parlamentares pretos, Doutora Jane é a única mulher. Candidata à reeleição pelo Republicanos, ela afirma que pretende continuar atuando em defesa das mulheres e da população negra.
A parlamentar considera que a população negra precisa ampliar sua presença nos espaços onde são tomadas decisões e formuladas políticas públicas.
O cientista político André César avalia que a baixa representação de pessoas negras nos espaços de poder é reflexo de uma desigualdade que também aparece em outras regiões do país. Para ele, educação e conscientização são caminhos para enfrentar o problema.
Candidatura indígena
A professora Altaci Kokama, primeira docente indígena da UnB, é candidata a deputada distrital pelo PT. Ela afirma que pretende levar ao Legislativo pautas relacionadas à preservação ambiental, ao Cerrado, aos povos indígenas, às mulheres e à educação.
Altaci defende que indígenas estejam diretamente envolvidos nos espaços de decisão e afirma que sua candidatura também representa uma forma de transformar a memória de episódios de violência contra os povos indígenas em ações políticas.
A cientista política Teresa Starling observa que o Distrito Federal possui cerca de 5,8 mil indígenas. Apesar de ser uma população proporcionalmente pequena, ela destaca a diversidade e a presença desse grupo no território.
Segundo Deniza Gurgel, a representatividade também pode ocorrer por meio da escolha de candidatos que, mesmo sem pertencerem a determinado grupo, estejam comprometidos com suas pautas.
Pessoas com deficiência e precarização do trabalho
O ex-trabalhador de aplicativo Abel Santos, candidato a deputado distrital pelo PSol, pretende defender os entregadores motociclistas e ampliar políticas voltadas às pessoas com deficiência.
Abel perdeu a força e a mobilidade do braço esquerdo após sofrer um acidente enquanto trabalhava com entregas. A experiência, segundo ele, reforçou a necessidade de ampliar o acesso das pessoas com deficiência aos serviços públicos, ao transporte adaptado, ao atendimento especializado e às oportunidades de independência financeira.
Para Deniza Gurgel, a presença de pessoas com deficiência nos espaços de poder é importante porque esses representantes vivenciam diretamente dificuldades relacionadas à acessibilidade e podem ampliar o debate sobre o tema na elaboração de leis e políticas públicas.
Fonte: Correio Braziliense
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



