Ceilândia em Alerta — A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), encontrará uma Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) com maioria de parlamentares de centro e de direita a partir de 2027. Dos 24 deputados distritais eleitos em 4 de outubro, 17 pertencem a partidos desses campos políticos, o equivalente a 70,8% das cadeiras. A esquerda contará com sete representantes.
A composição da Casa será determinante para a articulação política do Governo do Distrito Federal (GDF), especialmente na aprovação de projetos, na definição do orçamento e na fiscalização das políticas públicas. Apesar da maioria de centro e direita, Celina precisará negociar com diferentes grupos, já que o alinhamento ideológico não garante apoio automático às propostas do Executivo.
Composição da Câmara Legislativa
O PL terá cinco cadeiras na próxima legislatura. Republicanos, MDB e PP contarão com três deputados cada. Podemos, União Brasil e PSD terão um representante cada.
Entre os 17 parlamentares de centro e direita, 12 foram reeleitos e cinco ocuparão uma cadeira pela primeira vez: Victor Jansen e André Kubitschek, do PL; Estefane Sampaio e Renata D’Aguiar, do Republicanos; e Rôney Nemer, do PP.
Eduardo Pedrosa (União Brasil), eleito com 50.833 votos, também aparece entre os nomes de destaque da próxima legislatura. Joaquim Roriz Neto (PL), que recebeu 45.604 votos, é outro parlamentar que busca espaço na direção da Casa.
A bancada de esquerda será formada por três deputados do PT, dois do PSol e dois do PSB. Max Maciel (PSol) foi o mais votado desse grupo, com 92.234 votos. Também foram eleitos Chico Vigilante (PT), com 50.046 votos; Múcio (PSB), com 42.769; Gabriel Magno (PT), com 42.331; Keka Bagno (PSol), com 40.569; Ricardo Vale (PT), com 29.387; e Dayse Amarilio (PSB), com 15.440 votos.
A atuação desses parlamentares será importante para a fiscalização do Executivo e para as discussões sobre os serviços públicos. Após as eleições, deputados de diferentes partidos já se manifestaram na tribuna da Casa, como mostra a matéria sobre os primeiros discursos dos distritais após o resultado das urnas.
Disputa pela Mesa Diretora
Um dos primeiros desafios da nova legislatura será a eleição da Mesa Diretora, marcada para 6 de janeiro de 2027. O grupo que comandar a CLDF terá influência sobre a organização dos trabalhos legislativos, a pauta de votações e a condução das negociações entre os deputados.
O atual presidente da Câmara, Wellington Luiz (MDB), e seus aliados negociam uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica do Distrito Federal para permitir uma nova recondução ao cargo em 2027. Ele foi eleito presidente em 2023 e reeleito em 2025. A proposta, caso aprovada, poderá abrir caminho para uma nova candidatura.
A articulação envolve também parlamentares de esquerda, indicando que as negociações pela direção da Casa podem ultrapassar as divisões partidárias entre governo e oposição.
Eduardo Pedrosa também se apresenta como candidato à presidência e busca apoio entre os colegas. A vice-presidência é outra posição em disputa. Atualmente ocupada por Ricardo Vale (PT), a função poderá entrar nas negociações para a formação da próxima Mesa Diretora.
Joaquim Roriz Neto (PL) também é cotado para a vice-presidência e demonstra interesse em comandar a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof).
Relação com o governo
A relação entre Celina Leão e os deputados distritais será decisiva para a condução do próximo mandato. A governadora precisará construir uma base de apoio capaz de aprovar medidas administrativas e orçamentárias, além de enfrentar questionamentos sobre áreas como saúde, educação, transporte e gestão financeira.
A relação com os partidos da Câmara também envolve negociações políticas e divergências dentro da própria base governista. Em entrevista publicada antes das eleições, Celina comentou a relação com parlamentares e as mudanças em seu grupo político, conforme registrado na matéria sobre as divergências entre a governadora e aliados do MDB.
A eleição da Mesa Diretora será um dos primeiros testes da articulação política para 2027. A distribuição de cargos, as prioridades orçamentárias e a condução das votações devem influenciar a relação entre o Palácio do Buriti e a CLDF durante os próximos quatro anos.
Fonte: Metrópoles



