Acordos econômicos e busca por novos mercados marcam viagem de Lula ao Panamá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou para o Panamá com uma agenda centrada no fortalecimento das relações econômicas e na ampliação de mercados para produtos brasileiros. A visita, a primeira ao país centro-americano neste mandato, prevê a assinatura de um acordo de cooperação e facilitação de investimentos, além de compromissos diplomáticos e participação em um fórum econômico regional.

De acordo com informações divulgadas pelo G1, o acordo a ser firmado estabelece regras de proteção recíproca para investimentos panamenhos no Brasil e brasileiros no Panamá. Segundo o embaixador Alexandre Ghisleni, diretor do Departamento de Política Econômica, Financeira e de Serviços do Ministério das Relações Exteriores, a iniciativa tem potencial para estimular a circulação de capital voltado a investimentos produtivos entre os dois países.

A programação inclui a presença de Lula em um fórum econômico marcado para quarta-feira (28), no qual o Brasil participa como convidado de honra, conforme o Itamaraty. O presidente brasileiro será o segundo orador do evento, logo após o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Estão previstas ainda as participações de Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; José Antonio Kast, presidente-eleito do Chile; além da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.

Além do fórum, Lula deve manter uma reunião bilateral com o líder panamenho e realizar uma visita institucional ao Canal do Panamá, considerado estratégico para o comércio exterior brasileiro. A viagem integra a estratégia do governo de ampliar a inserção do Brasil em novos mercados internacionais e consolidar parcerias na América Central e no Caribe.

O governo brasileiro avalia que a relação econômica com o Panamá atravessa um momento de forte expansão. No último ano, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 78%, alcançando US$ 1,6 bilhão. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados, que avançaram de US$ 300 milhões para US$ 1,6 bilhão.

A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Padovan, afirmou que o crescimento expressivo resultou em um superávit para o Brasil, que agora busca maior equilíbrio na balança comercial. Segundo ela, a diplomacia brasileira pretende incentivar a importação de produtos panamenhos como forma de ajustar esse fluxo. “É um hub central para nós, para as conexões com a América Central, com o Caribe, às vezes até com países da América do Sul, como Guiana e Suriname”, disse, ao comentar a relevância logística do país.

No campo dos investimentos, o Panamá ocupa posição de destaque como destino de capital brasileiro. O estoque de investimentos do Brasil no país soma US$ 9,5 bilhões, o que coloca o Panamá como o sétimo maior destino externo desses recursos. Para o governo, esse cenário reforça a importância de aprofundar mecanismos de cooperação econômica.

A dimensão logística também é tratada como estratégica. O Brasil figura como o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde transitam cerca de sete milhões de toneladas anuais de exportações brasileiras. Além disso, o Aeroporto Internacional de Tocumen é apontado como um centro logístico relevante, com fluxo aproximado de 20 milhões de passageiros por ano, ampliando as conexões regionais.

Outro ponto destacado pela diplomacia brasileira é a associação do Panamá ao Mercosul, tornando-se o primeiro país da América Central a estabelecer esse vínculo com o bloco. Para Gisela Padovan, a iniciativa fortalece a integração regional. “Nós vimos com muita alegria o interesse do presidente Mulino, que rapidamente assinou um acordo de associação. E agora estamos por iniciar negociações comerciais com o Brasil e com os países da região”, afirmou.

Com uma agenda que combina acordos formais, articulação política e interesses comerciais, a visita de Lula ao Panamá sinaliza o esforço do governo brasileiro em ampliar sua presença econômica e diplomática em uma região considerada estratégica para o comércio e a integração regional.

Originalmente publicado em Brasil24

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